Estamos restaurando áreas estratégicas na ecorregião do Alto Paraná pelo projeto Reconecta Alto Paraná – Restaurando corredores e unindo pessoas, com o objetivo de recuperar ecossistemas degradados e fortalecer a conectividade entre fragmentos florestais para manutenção de corredores de biodiversidade. O projeto é realizado pelo Mater Natura em parceria técnico-financeira com o WWF-Brasil, com apoio da Rede Gestora do Corredor de Biodiversidade do Rio Paraná.
Desde 2019, já foram restaurados quase 160 hectares nos estados do Paraná e Mato Grosso do Sul, com algumas áreas nas proximidades do Paraguai e da Argentina.

Área de abrangência do projeto Reconecta Alto Paraná
O Reconecta Alto Paraná é fruto de uma parceria iniciada em 2019 com o WWF Brasil para a elaboração de um Plano de Restauração para a porção brasileira da ecorregião do Alto Paraná, com a meta de restaurar 200 hectares, prevista para ser concluída este ano. O projeto foi dividido em duas fases: na primeira, restauramos 60 hectares e, na segunda, já atingimos 95 hectares em processo de restauração.
As motivações para a restauração são diversas e fundamentais: garantir a segurança hídrica, contribuir para as funções ecológicas de unidades de conservação e recuperar áreas degradadas. Além disso, buscamos fortalecer a conectividade ecológica entre fragmentos florestais, para manter a biodiversidade e beneficiar espécies ameaçadas. Esse trabalho também incentiva sistemas agroflorestais sustentáveis, que conciliam conservação e geração de renda para as comunidades locais. Nesse contexto, a articulação territorial desempenha um papel essencial, com a aproximação de diferentes atores e o fortalecimento da governança ambiental no Corredor de Biodiversidade do Rio Paraná.

Antes e depois de uma área localizada no Assentamento 16 de Maio, em Ramilândia/PR: acima, a área sendo preparada para o plantio em 2022; abaixo, a mesma área em 2025
O desafio da prevenção e combate às queimadas
Apesar dos avanços, enfrentamos um desafio crítico: as queimadas. O fogo tem atingido áreas restauradas, colocando em risco a fauna, a flora e todo o trabalho realizado. Muitas destas queimadas têm origem humana, seja por práticas agrícolas inadequadas, por ações intencionais ou por acidentes. A crise é agravada pelos períodos de seca prolongada e pelos impactos das mudanças climáticas, que tornam o solo mais vulnerável ao fogo. Além da destruição da vegetação, as queimadas comprometem a qualidade do ar e afetam a saúde das comunidades locais.

Antes e depois de área restaurada no PEVRI: à esquerda, imagem de 2023 da área antes do incêndio; à direita, imagem da área queimada em 2024
Diante desta ameaça, temos adotado diversas estratégias para minimizar os impactos das queimadas, incluindo:
- Monitoramento remoto para identificar focos de incêndio.
- Construção de aceiros, que funcionam como barreiras para conter o avanço do fogo.
- Apoio na compra de equipamentos de combate a incêndios, para auxiliar em brigadas contra os incêndios.
- Sensibilização da população, com o alerta sobre os riscos, a promoção de boas práticas e o incentivo a políticas públicas que garantam maior proteção às áreas vulneráveis.

Área de plantio queimada e aceiro no Parque Estadual das Várzeas do Rio Ivinhema (PEVRI) no MS: muitas áreas, mesmo com aceiros, são atingidas, a depender da direção, velocidade do vento e intensidade do fogo
Parcerias que fazem a diferença
Nossas ações de restauração e proteção dessas áreas contam com o apoio de diversos parceiros, como:
- Projeto Onças do Iguaçu (POI), que realiza o monitoramento da fauna e conservação de grandes felinos.
- Centro de Apoio e Promoção da Agroecologia (CAPA), que fornece apoio a povos tradicionais e sistemas agroflorestais sustentáveis.
- Instituto de Meio Ambiente de Mato Grosso do Sul (IMASUL), que atua com a gestão de áreas protegidas e combate a incêndios.
- Instituto Água e Terra (IAT) e Itaipu Binacional, que apoia o projeto com a doação de mudas.
Somam-se a estes parceiros os proprietários rurais e gestores de Unidades de Conservação com quem temos atuado, que se comprometem com apoio à restauração ecológica. Estas alianças mostram que a conservação ambiental só é possível com união e esforço coletivo.

À esquerda: IAT e Pacto pela Restauração da Mata Atlântica durante visita às áreas do projeto, na região Oeste do estado. À direita: proprietário do Rancho Jaguarete mostra canafístula que foi plantada durante mutirão em abril de 2023
Além das ações de campo, buscamos ampliar o alcance do projeto por meio da comunicação e da sensibilização da sociedade. Para saber mais sobre a restauração ecológica no Alto Paraná e seus desafios, confira reportagens especiais e um documentário do programa Repórter Eco, da TV Cultura, realizados com nossa participação.

Equipe do projeto durante gravação de reportagem da TV Cultura