Mater Natura inicia avaliação de 4 mil espécies da fauna de São Paulo

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Projeto realizado em parceria com a SEMIL e a FUNDEPAG reúne pesquisadores de diferentes grupos taxonômicos e produzirá subsídios científicos para a revisão da Lista da Fauna Ameaçada de Extinção do estado de São Paulo.

Iniciamos um novo projeto voltado à conservação da biodiversidade brasileira: a avaliação do risco de extinção de 4 mil espécies da fauna do estado de São Paulo. O processo reunirá pesquisadores de diferentes instituições e grupos taxonômicos e produzirá a base técnico-científica que subsidiará o Governo do Estado na revisão da Lista da Fauna Ameaçada de Extinção de São Paulo.

O projeto é executado pelo Mater Natura – Instituto de Estudos Ambientais, para a Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística do Estado de São Paulo (SEMIL), por meio de contrato formalizado com a Fundação de Desenvolvimento da Pesquisa do Agronegócio (FUNDEPAG). Somos responsáveis pela coordenação executiva do processo, orientando e gerindo as atividades de avaliação junto ao Comitê Científico e elaborando os produtos técnicos que serão submetidos ao Grupo de Trabalho da SEMIL.

O contrato teve início em maio de 2026 e prevê trabalhos até março de 2028. As avaliações serão realizadas progressivamente, em grupos de 500 espécies, contemplando mamíferos, aves, répteis, anfíbios, peixes de água doce, peixes marinhos, insetos e outros invertebrados.

A primeira reunião de abertura dos serviços foi realizada de forma online em 28 de maio. Desde então, o projeto avançou na estruturação metodológica e na organização das informações necessárias às avaliações. Dois produtos previstos no contrato já foram concluídos: o Plano de Trabalho e uma base de dados das espécies da fauna com ocorrência potencial no estado de São Paulo.

Equipe do projeto na reunião inaugural do Processo de Avaliação de Risco das Espécies da Fauna Silvestre do Estado de São Paulo, em 4 de agosto – Foto: Acervo Mater Natura

Uma grande rede científica pela fauna paulista

Um dos principais marcos desta etapa inicial ocorreu em 4 de agosto, quando a equipe do Mater Natura participou, na cidade de São Paulo, da reunião inaugural do Processo de Avaliação de Risco das Espécies da Fauna Silvestre do Estado de São Paulo.

O encontro reuniu representantes da SEMIL e de outros órgãos ambientais estaduais, além de pesquisadores de instituições públicas e privadas de São Paulo e de outros estados. A reunião marcou o início da composição do Comitê Científico e apresentou aos especialistas a metodologia, a governança, o cronograma e as diferentes etapas previstas para o trabalho.

O Comitê Científico terá papel central no processo. Coordenadores científicos e especialistas dos diferentes grupos da fauna irão trabalhar na definição das espécies avaliadas, consolidação e revisão das informações disponíveis e análise do risco de extinção. O processo adota como referência a metodologia da União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN), amplamente utilizada em avaliações de risco de extinção.

Entre as informações produzidas estarão dados de ocorrência e produtos geoespaciais, incluindo métricas como Extensão de Ocorrência e Área de Ocupação das espécies. Essas e outras evidências científicas servirão de base para a aplicação dos critérios de avaliação e a definição das respectivas categorias de risco.

O processo avançou em 18 de agosto, com uma nova reunião online reunindo coordenadores e especialistas dos diferentes grupos taxonômicos.

Fotos da reunião inaugural do Processo de Avaliação de Risco das Espécies da Fauna Silvestre do Estado de São Paulo, em 4 de agosto – Foto: Acervo Mater Natura

Experiência acumulada em avaliações de espécies

Durante a reunião inaugural, o coordenador-geral do projeto, Peterson Trevisan Leivas, apresentou a trajetória do Mater Natura e a experiência acumulada pela instituição em processos de avaliação do risco de extinção de espécies.

Entre os trabalhos desenvolvidos pelo Instituto estão iniciativas no Paraná e em Santa Catarina. Em São Paulo, o Mater Natura também executou, entre 2023 e 2024, um trabalho de compilação de dados e elaboração de materiais cartográficos para subsidiar a atualização da lista estadual, no âmbito do Projeto Pró-Espécies. A iniciativa resultou em uma base de registros de ocorrência efetiva de espécies ameaçadas, quase ameaçadas e com dados insuficientes, além de mapas de distribuição.

Pelo Mater Natura, também participaram da reunião Ana Tereza B. Guimarães, coordenadora de Gestão de Dados e Georreferenciamento; Luciane A. Grassani, coordenadora do Núcleo de Facilitação; e Patrícia Calil, secretária executiva do projeto.

Da ciência às políticas públicas

São Paulo possui um histórico de avaliações regionais da fauna. Listas estaduais foram publicadas em 2008, 2014 e 2018, incorporando ao longo do tempo espécies ameaçadas de extinção, quase ameaçadas, regionalmente extintas e aquelas para as quais ainda não havia dados suficientes para uma avaliação segura.

A nova avaliação também está relacionada às metas estabelecidas pelo Estado para ampliar o conhecimento sobre a situação de sua biodiversidade. O Plano Plurianual de São Paulo para 2024–2027 inclui, entre seus indicadores, o percentual de espécies da flora e da fauna paulista avaliadas quanto ao risco de extinção.

Mais do que produzir uma lista, processos como esse transformam conhecimento científico em uma ferramenta para a tomada de decisão. A identificação das espécies mais vulneráveis e dos fatores que ameaçam sua sobrevivência pode orientar prioridades de pesquisa, monitoramento, proteção de habitats, elaboração de planos de ação e outras políticas de conservação.

Ao mobilizar especialistas, reunir e qualificar milhares de registros e aplicar critérios científicos padronizados a 4 mil espécies, o projeto permitirá construir um panorama atualizado sobre a situação da fauna paulista – informação essencial para definir onde e como agir para reduzir o risco de novas perdas de biodiversidade.

A agenda presencial também possibilitou à equipe do Mater Natura conhecer estruturas e programas relacionados ao monitoramento ambiental e da fauna no estado. Na manhã de 4 de agosto, a equipe realizou visita técnica aos laboratórios da CETESB, conhecendo estruturas dedicadas a análises de ecossistemas aquáticos e comunidades da fauna, além de procedimentos de análises físico-químicas e biológicas e programas estaduais de monitoramento da qualidade da água, esgotos e qualidade do ar.

No dia seguinte, a agenda teve continuidade com uma visita técnica a laboratórios voltados ao monitoramento da saúde animal e à manutenção de banco genético de espécies da fauna silvestre paulista.

As atividades ampliaram o intercâmbio técnico e científico entre as equipes e instituições envolvidas. Nos próximos meses, o trabalho entra em uma etapa decisiva de consolidação das informações e avaliação das espécies, avançando na construção de um diagnóstico científico atualizado sobre o risco de extinção da fauna de São Paulo.

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