Mater Natura inicia a estruturação de um novo projeto para a conservação dos sapinhos-da-montanha

Compartilhe esse conteúdo

26 de julho de 2020, notícia publicada pelo Mater Natura – Instituto de Estudos Ambientais.

Desde 2005 pesquisadores associados ao Mater Natura se dedicam ao estudo de sapinhos anuros do gênero Brachycephalus. E, a partir de 2011 nosso Instituto firmou parcerias com universidades e a Fundação Grupo Boticário para o desenvolvimento de três projetos que resultaram na descoberta de 15 novos anfíbios dos gêneros Brachycephalus e Melanophryniscus. O terceiro e mais recentes desses projetos, denomina-se “Conservação dos sapinhos-da-montanha (Brachycephalus spp.) do Sul do Brasil”, iniciado em agosto de 2019 e com conclusão prevista para agosto de 2021.

E ele já comemora excelentes resultados para a conservação das espécies estudadas, com o registro de Brachycephalus coloratus (figura 1) dentro dos limites do Parque Estadual da Serra da Baitaca, na Serra do Mar paranaense e de sete novas localidades de ocorrência de Brachycephalus tridactylus (figura 2), na divisa entre o sul do Estado de São Paulo e o litoral norte do Estado do Paraná. Esta última espécie era conhecida, até então, por somente uma diminuta área dentro da RPPN da Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza, denominada de Reserva Natural Salto Morato, no município de Guaraqueçaba, Paraná. Por se tratar de uma das espécies de Brachycephalus com menor distribuição geográfica conhecida, era uma das metas do projeto a busca por informações adicionais sobre ela.

Figura 1.Brachycephalus coloratus, registrado pela primeira vez no Parque Estadual da Serra da Baitaca, município de Quatro Barras, Paraná.
Figura 1.Brachycephalus coloratus, registrado pela primeira vez no Parque Estadual da Serra da Baitaca, município de Quatro Barras, Paraná.
Figura 2. Brachycephalus tridactylus, registrado na região do sul de São Paulo e Paraná, com uma curiosa despigmentação na região do olho direito.
Figura 2. Brachycephalus tridactylus, registrado na região do sul de São Paulo e Paraná, com uma curiosa despigmentação na região do olho direito.

Apesar de os novos resultados serem comemorados, as avaliações feitas pela equipe do projeto indicam que os status de conservação de ambas, previamente avaliados, não se alteram. Ou seja, mesmo com novos registros eles ainda não ampliam expressivamente as extensões das suas distribuições, de modo que ambas continuam avaliadas como vulneráveis, conforme os critérios internacionais da IUCN (sigla em inglês para União Internacional para Conservação da Natureza). São três as categorias para espécies ameaçadas de extinção: “criticamente ameaçada”, “em perigo” e “vulnerável”.

Entre os impactos mais importantes que incidem sobre as populações dessas duas espécies incluem-se o desmatamento e risco a incêndios. Alteração ambiental com invasão de espécies exóticas e corte seletivo de essências arbóreas são impactos disseminados e que afetam gradualmente com maior intensidade essas e as demais espécies de sapinhos-da-montanha.

O projeto também objetiva a elaboração de um programa de conservação para as espécies de Brachycephalus ameaçadas de extinção. Algumas reuniões já foram realizadas para se avançar nesse sentido, como, por exemplo, com o Instituto de Meio Ambiente de Santa Catarina (IMA). Estamos trabalhando na construção de uma estratégia conjunta de conservação por intermédio de compensação aos proprietários de áreas rurais que contenham registro de sapinhos-da-montanha em extinção. Vivemos tempos difíceis, de pandemia e consequente crise econômica, mas isso não impede que vejamos como mais do que meritório que as pessoas que guardam remanescentes florestais importantes sejam beneficiadas pelos serviços ambientais que suas propriedades prestam.

Inscreva-se em nossa Newsletter

Receba mensalmente o nosso informativo.

Posts Relacionados

Notícias

O dilema da araucária: sobreviveu à pré-história, mas sobreviverá aos humanos?

No Dia Nacional da Araucária, conheça a história da árvore que viu os dinossauros surgirem e desaparecerem, hoje criticamente ameaçada — e os nossos projetos que estão restaurando suas florestas no Sul do Brasil. Há mais de 200 milhões de anos, antes mesmo de os dinossauros dominarem o planeta, já existiam araucárias (Araucaria angustifolia). A

Notícias

Confira eventos, reuniões e atividades do Mater Natura de maio e junho

Os meses de maio e junho foram marcados por uma intensa agenda de participação institucional, articulação política, eventos técnicos e atividades de divulgação científica.  Semana do Meio Ambiente: debates, conexões e mobilização pela conservação Entre os destaques da programação, estivemos na UCBio – Conferência Nacional de Unidades de Conservação para Biodiversidade, realizada de 7 a

Rolar para cima