Oficina prática ensina tecnologia sustentável na comunidade Mundo Novo do Saquarema e pode servir de modelo para outras casas da região

A comunidade Mundo Novo do Saquarema, área rural de Morretes, no litoral do Paraná, recebeu nos dias 25 e 30 de abril uma oficina prática com mutirão para instalação de um sistema alternativo de tratamento de esgoto doméstico. A ação foi promovida pelo Mater Natura – Instituto de Estudos Ambientais em parceria com a associação comunitária local, um grupo de trabalho da comunidade e o Instituto Ecoe.
A oficina faz parte das atividades do projeto Diálogo UC – Fortalecimento da Gestão Participativa das Unidades de Conservação do Território da APA de Guaratuba, realizado pelo Mater Natura e financiado pelo Programa Biodiversidade Litoral do Paraná (BLP). O projeto está coordenando ações para tornar a gestão mais participativa em seis Unidades de Conservação (UCs) e na comunidade Mundo Novo do Saquarema, que foi selecionada como um “piloto” para gestão ambiental comunitária.
A ideia nasceu de uma demanda identificada pelos próprios moradores. A ausência ou inadequação do tratamento de esgoto em parte das casas ainda é um dos principais desafios, com impactos diretos na qualidade do solo, da água e na saúde local.
“Com o projeto, a comunidade está aprendendo a importância de se organizar. Já conseguiram conquistas importantes, como um hidrômetro, novos pontos de energia elétrica, mas ainda há casas sem nenhum tipo de tratamento de esgoto no local”, explica Renata Padilha, coordenadora do projeto Diálogo UC.
A partir de oficinas e um curso promovidos pelo projeto, lideranças da comunidade se organizaram e criaram um grupo de trabalho, que vem mobilizando moradores e construindo soluções coletivas.

Como funciona o sistema
O sistema residencial de tratamento de esgoto escolhido trata os efluentes com uma tecnologia social de baixo custo, econômica e ecológica, que não contamina o solo e nem a água. A oficina vai ensinar, na prática, a construção desse sistema e será realizada em uma área que ainda não possui saneamento adequado.
Batizada de Jardim Elemental, a tecnologia é composta por uma combinação do modelo BET – Bacia de Evapotranspiração, que trata a água vinda do vaso sanitário, e do modelo Círculo de Bananeiras, que recebe e filtra a água dos ralos. Além de tratar os efluentes, a área também é utilizada para criar um jardim e um espaço de convivência, como explica Cynthia Bresser, uma das idealizadoras da iniciativa.
“É uma proposta de impacto socioambiental incubada pela Cíclica [empresa de soluções ambientais. O diferencial é que, além de tratar o esgoto de forma sustentável, transformamos o local em um ambiente agradável, integrando elementos como áreas de descanso e lazer ao paisagismo. Assim se ‘ganha’ um espaço valioso no terreno, em vez de considerá-lo perdido”.

A aposta da oficina é que o conhecimento fique na comunidade. Os participantes poderão aprender como construir e manter o sistema, o que abre possibilidade para que a tecnologia seja replicada em outras áreas. A ideia é que essa primeira instalação funcione como unidade demonstrativa, incentivando novas soluções locais e ampliando o acesso ao saneamento de forma sustentável.
Como próximos passos, o grupo de trabalho da comunidade prevê ainda novas ações educativas sobre saneamento e meio ambiente e iniciativas de ciência cidadã, como o monitoramento da qualidade da água para identificar as fontes de poluição.
Sobre o projeto Diálogo UC
Desde novembro de 2024, o projeto Diálogo UC está realizando um processo para formação e articulação de atores estratégicos, como representantes de comunidades locais e tradicionais, técnicos de instituições e conselheiros das UCs do Território da APA de Guaratuba. Foram realizadas oficinas e um curso, que resultou em planos de intervenção – um processo que já envolveu mais de 60 pessoas de diferentes setores e agora está implementando ações para os desafios de cada área.
“O projeto trouxe um espaço qualificado de diálogo, promovendo troca de conhecimentos, aproximação entre comunidade e gestão, além de fortalecer a construção coletiva de soluções”, avalia a gestora da APA de Guaratuba, Célia Cristina Rocha.
O Diálogo UC é financiado pelo Programa Biodiversidade Litoral do Paraná com recursos do Termo de Acordo Judicial celebrado entre o Ministério Público Federal, Ministério Público do Estado do Paraná e a Petrobras, sob interveniência do Fundo Brasileiro para a Biodiversidade (FUNBIO) e do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio). A iniciativa conta com apoio da Rede PPPEA Guaratuba e parceria com o Instituto Ecoe.
Confira mais da oficina e do mutirão:







