Dispersão aérea de sementes ajuda a restaurar populações de palmito-juçara na Mata Atlântica do Paraná

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Foto: COA-IAT

Setecentas mil sementes de palmito-juçara (Euterpe edulis) ganharam os céus do litoral do Paraná em uma grande ação de restauração ambiental coordenada pelo Instituto Água e Terra (IAT). Realizada com apoio de diversas instituições parceiras, entre elas o Mater Natura – Instituto de Estudos Ambientais, a iniciativa buscou fortalecer a presença dessa espécie emblemática e ameaçada de extinção em áreas protegidas da Mata Atlântica. 

As sementes foram dispersadas por helicóptero em quatro Unidades de Conservação de Proteção Integral: o Parque Estadual Rio da Onça, em Matinhos; a Estação Ecológica de Guaraguaçu, em Paranaguá; o Parque Estadual do Boguaçu, em Guaratuba; e o Parque Estadual Pico do Marumbi, que abrange áreas de Morretes, Piraquara e Quatro Barras. Os locais foram selecionados por gestores das unidades, especialmente em regiões onde houve registros de extração ilegal da espécie.

O Mater Natura contribuiu com a doação de parte das sementes utilizadas na ação. Elas se somaram a sementes obtidas pelo próprio IAT e por outras instituições parceiras comprometidas com a conservação da biodiversidade e a restauração ecológica da Mata Atlântica. 

O palmito-juçara é uma espécie-chave da Mata Atlântica. Seus frutos servem de alimento para dezenas de espécies de aves e mamíferos, como tucanos, jacutingas, jacus, sabiás e arapongas, que atuam naturalmente na dispersão das sementes. Ao longo das últimas décadas, a exploração predatória para extração do palmito levou a espécie a um forte declínio populacional, tornando necessárias ações de conservação e recuperação. 

Segundo Daniel Miller, coordenador de projetos do Mater Natura, a expectativa é positiva em relação à germinação das sementes. “A taxa de germinação é boa, varia de 60% a 90% – dependendo do lote e de quanto tempo estavam estocadas as sementes. Mas, depois de germinadas, há o desafio do estabelecimento das mudas em campo”, explica.

Esse desafio faz parte da dinâmica natural das florestas. Embora muitas sementes consigam germinar, apenas uma parcela sobreviverá às condições ambientais, à competição por luz e nutrientes e à ação de predadores. Ainda assim, a grande quantidade de sementes dispersadas aumenta significativamente as chances de formação de novas populações da espécie.

A ação também chama a atenção para a importância da restauração ecológica e da conservação das espécies nativas. Ao favorecer o retorno do palmito-juçara, contribui-se não apenas para a recuperação de uma planta ameaçada, mas para o fortalecimento de toda a rede de vida associada à Mata Atlântica, um dos biomas mais biodiversos e ameaçados do planeta.

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