Projeto Elos da Mata Atlântica avança com diagnóstico e plano para restauração no sudeste do Paraná

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Área do PA José Gomes, um dos territórios incluídos na etapa de diagnóstico que vai orientar o planejamento da restauração ecológica. Foto: Mater Natura.

O projeto Elos da Mata Atlântica: Corredores para a Reconexão Ecológica está concluindo uma etapa decisiva para os próximos anos de atuação: a consolidação do Plano de Restauração, documento que reúne diagnóstico territorial e socioambiental para orientar as ações de restauração ecológica no sudeste do Paraná. 

Mais do que um planejamento operacional, o plano organiza a estratégia de restauração a partir da realidade do território. Ele integra informações sobre a paisagem, a vegetação, o solo, o uso da terra e a dinâmica social das comunidades envolvidas, ajudando a definir onde, como e com quais técnicas a restauração ecológica será implantada.

Ao longo de 48 meses, o projeto prevê a recuperação de 206,04 hectares, com foco na reconexão e melhoria de fragmentos da Floresta com Araucária, em uma região estratégica da Mata Atlântica. A maioria das áreas terão técnicas de enriquecimento que buscam contribuir com o aumento da diversidade dos fragmentos florestais. A proposta articula restauração, conservação da biodiversidade, pesquisa e participação comunitária, com atuação prioritária em assentamentos da reforma agrária.

O projeto faz parte do Programa Floresta Viva, com gestão do Fundo Brasileiro para a Biodiversidade (Funbio) e financiamento do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e da Philip Morris Brasil.

“Para qualificar o planejamento das ações e aprofundar a leitura das áreas prioritárias, reunimos escuta com as comunidades, mapeamento participativo, sobrevoos de drone e caracterização ambiental das áreas”, detalha Ana Paula Silva, coordenadora técnica do projeto. Esse conjunto de etapas ajuda a compreender tanto as condições ecológicas da paisagem quanto a realidade social das famílias que vivem nesses locais.

Território, escuta e participação desde o início

Oficina realizada com famílias do assentamento PA Rio da Areia, durante a etapa de escuta e diagnóstico participativo do projeto. Foto: Mater Natura.

As primeiras atividades do diagnóstico participativo foram realizadas entre os dias 5 e 7 de março, com visitas e oficinas nos assentamentos José Maria, Rio da Areia, Avencal, José Gomes da Silva e Faxinal dos Mineiros. Esse primeiro momento marcou o início da aproximação direta junto às comunidades e abriu espaço para uma leitura inicial do território a partir da escuta das famílias assentadas.

Ao longo dos encontros, a equipe apresentou a proposta do projeto, retomou o diálogo com os moradores e conduziu oficinas de diagnóstico participativo. A ideia foi compreender melhor como é a vida nos assentamentos, quais principais atividades produtivas fazem parte do cotidiano das famílias e quais são os principais desafios e possibilidades percebidos por quem vive nesses territórios.

As oficinas também incluíram atividades de mapeamento participativo, que ajudaram a identificar áreas com potencial para restauração, necessidade de cercamento, trechos sensíveis para proteção e possibilidades de atuação dentro dos lotes e das áreas de reserva legal.

Esse processo ajudou a aproximar as ações do projeto da realidade local. Ao lado da discussão sobre restauração ecológica, surgiram temas ligados à produção agrícola, à disponibilidade de água, à permanência no campo, ao interesse por capacitações e às perspectivas de futuro das famílias. Nos assentamentos, as questões ambientais aparecem diretamente conectadas às condições de vida e ao uso do território.

Leitura da paisagem

Imagens aéreas produzidas por drone ajudam a mapear os polígonos prioritários e a apoiar o planejamento das estratégias de restauração. Foto: Mater Natura.

Em paralelo às oficinas, o projeto avançou em etapas técnicas do diagnóstico para elaboração do Plano de Restauração. Uma delas foi o mapeamento por drone, usado para gerar imagens detalhadas das áreas de atuação. A partir de voos planejados, a equipe registra fotografias aéreas que depois são reunidas em um único mapa de alta resolução. Esse material ajuda a visualizar melhor o território e a identificar, com mais precisão, características da paisagem que serão consideradas no planejamento da restauração.

Reconhecimento da vegetação, etapa que ajuda a identificar as condições ecológicas da área e a orientar o planejamento da restauração. Fotos: Mater Natura.

Outra frente importante é a caracterização da vegetação, que busca compreender as condições ecológicas dos fragmentos florestais, a presença de espécies nativas e a ocorrência de espécies exóticas invasoras, como o pinus. Essa leitura combina referências técnicas já consolidadas com observações de campo, ajudando a identificar o estágio da vegetação e o potencial de regeneração de cada área.

Também integra essa fase a análise de solo, que ajuda a entender melhor as condições de cada área para definição das estratégias de restauração. A equipe realiza coletas em diferentes trechos do terreno, que depois seguem para análise em laboratório. Com isso, é possível conhecer melhor a composição do solo e identificar quais cuidados podem ser necessários em cada local.

Essas informações indicam que tipo de ação é mais adequada para cada área. Em alguns trechos, a vegetação já se recupera de forma natural; em outros, será preciso reforçar esse processo com diferentes estratégias de restauração. O diagnóstico é o que permite fazer essas escolhas com mais segurança e coerência com a paisagem.

A construção do Plano de Restauração articula os três elos que estruturam o projeto: sociedade, biodiversidade e pesquisa. No elo sociedade, entram as oficinas, a escuta das famílias, o mapeamento participativo e a identificação de demandas e possibilidades de trabalho e capacitação nos assentamentos, não apenas para o período do projeto, mas considerando continuidade de ações pelos próprios moradores, ao longo do tempo. No elo biodiversidade, estão os levantamentos ambientais, a leitura da paisagem, a caracterização da vegetação e as informações que ajudam a orientar a restauração ecológica. Já o elo pesquisa será alimentado por esse conjunto de dados, apoiando o desenvolvimento e o acompanhamento técnico-científico das metodologias adotadas ao longo do projeto.

Na prática, isso significa que o plano não olha apenas para mapas ou fragmentos florestais. Ele reúne informações sociais, ambientais e técnicas para orientar decisões mais coerentes com a realidade do território e com os objetivos da restauração, que poderão resultar em informações que serão publicadas e contribuirão com a sociedade e demais práticas relacionadas à temática no futuro.

Um território estratégico para restaurar e reconectar

Área do assentamento PA José Maria, uma das frentes visitadas durante a etapa de diagnóstico do projeto, que inclui leitura da paisagem, reconhecimento das áreas e planejamento das ações de restauração. Foto: Mater Natura.

A área de atuação do projeto está em uma região de alta relevância ambiental no sudeste do Paraná, com presença de remanescentes importantes da Floresta com Araucária, áreas de preservação permanente, reservas legais e conexão com bacias hidrográficas estratégicas, como as dos rios Imbituva e da Vargem.

Ao mesmo tempo, o diagnóstico aponta desafios importantes, como a fragmentação da vegetação nativa, a presença de espécies exóticas invasoras e a vulnerabilidade de áreas ligadas à água, como nascentes e matas ciliares. Por outro lado, muitas dessas áreas ainda mantêm capacidade de regeneração natural, o que amplia as possibilidades de recuperação ecológica ao longo do projeto, com técnicas de menor custo aplicado para intervenção.

Essas informações ajudam a planejar ações mais coerentes com as características de cada lugar e com as dinâmicas do território, ampliando as chances de que a restauração tenha continuidade e efetividade ao longo do tempo.

Sobre o projeto

O projeto Elos da Mata Atlântica: Corredores para a Reconexão Ecológica é realizado pelo Mater Natura – Instituto de Estudos Ambientais e tem como objetivo promover a restauração ecológica e a reconexão de paisagens no sudeste do Paraná.

A iniciativa busca recuperar áreas degradadas e fortalecer corredores ecológicos em uma região estratégica para a conservação da Floresta com Araucária, articulando restauração, participação comunitária e fortalecimento territorial.

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