Mater Natura e ICMBio firmam parceria para restauração no Parque Nacional de Saint-Hilaire/Lange

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Acordo prevê cinco anos de ações para restauração da Mata Atlântica, integrando pesquisa científica, ações de manejo e de gestão da Unidade de Conservação

Parque Nacional de Saint-Hilaire/Lange (PNSHL), que abriga diferentes formações florestais e uma alta diversidade de espécies. Foto: Gabriel Marchi

O Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) e o Mater Natura – Instituto de Estudos Ambientais firmaram um Acordo de Cooperação Técnica (ACT) inédito para a restauração no litoral do Paraná. O acordo tem como foco o Parque Nacional de Saint-Hilaire/Lange (PNSHL), uma das áreas mais relevantes para a conservação da Mata Atlântica no sul do Brasil. 

Com cerca de 24 mil hectares, o parque abriga diferentes formações florestais e uma alta diversidade de espécies, incluindo árvores ameaçadas de extinção. Foi a primeira Unidade de Conservação (UC) do país a ser criada pelo Poder Legislativo Federal, que completa agora 25 anos.

A parceria foi oficializada no DOU do dia 23 de março de 2026, com vigência de cinco anos e integra as ações do projeto “Estudos da Restauração – Pesquisa, Estruturação e Planejamento”, financiado pelo Programa Biodiversidade Litoral do Paraná. 

“O Mater Natura precisou passar por um credenciamento preliminar junto ao ICMBio para essa parceria, que tem como eixo central a restauração ecológica em um Parque Nacional”, detalha o coordenador do projeto, Daniel Zambiazzi Miller.

Conservação, pesquisa e restauração

O plano de trabalho do acordo prevê um conjunto de ações integradas, como um levantamento florístico detalhado no parque, para ampliar o conhecimento sobre a biodiversidade local, e o estudo de espécies arbóreas raras e ameaçadas, voltado para ciclos de vida, produção de sementes, germinação e interações com a fauna. Esses dados ainda são escassos na literatura científica e são essenciais para orientar projetos de restauração.

Também será elaborado um Projeto de Restauração Ecológica para o PNSHL, incluindo estratégias para o manejo de espécies que ameaçam a biodiversidade da região, como pinus, braquiária e lírio-do-brejo. No entorno do parque, o plantio de espécies nativas e o enriquecimento florestal em propriedades parceiras deverá fortalecer a conectividade da paisagem.

Imagem obtida por armadilha fotográfica instalada no PNSHL para estudos de frugivoria. Imagem: Mater Natura

Para a restauração, estão previstas a produção de mudas e sementes junto a viveiros parceiros. A coleta de sementes de espécies nativas, especialmente as ameaçadas, será intensificada para fortalecer programas e iniciativas de conservação de espécies em risco.

“Com o acordo, temos a possibilidade de realizar novos projetos e ações de médio prazo. Já iniciamos a coleta de sementes e produção de mudas com viveiros parceiros para plantio e enriquecimento no entorno. A restauração dentro do parque será o próximo passo, a partir dos estudos e planos que estão sendo elaborados”, detalha Daniel.

O acordo reforça a integração entre pesquisa científica, gestão de UCs e atuação em rede com diferentes parceiros. Esse esforço dialoga com outras ações já desenvolvidas pelo Mater Natura, como o uso de câmeras para estudar a fauna dispersora de sementes e iniciativas voltadas ao fortalecimento da cadeia produtiva da restauração no litoral do Paraná.

Sementes coletadas pelo projeto “Estudos da Restauração” e mudas produzidas em conjunto com viveiros parceiros. Fotos: Daniel Zambiazzi Miller

Segundo o analista ambiental Rodrigo Torres, responsável pela área de pesquisa do Núcleo de Gestão Integrada do ICMBio em Matinhos, a parceria com o Mater Natura, que já ocorre há anos, agora ganha um importante reforço com a assinatura desse acordo. “As ações planejadas aliam uma grande ampliação do conhecimento da biodiversidade local, a elaboração de um importante documento técnico para ações de restauração ecológica na área, ações práticas de plantio e enriquecimento florestal, que beneficiam tanto o parque como as comunidades do seu entorno, e ainda a colaboração com iniciativas regionais de restauração.”

O projeto “Estudos da Restauração – Pesquisa, Estruturação e Planejamento” é financiado pelo Programa Biodiversidade Litoral do Paraná com recursos do Termo de Acordo Judicial celebrado entre o Ministério Público Federal, Ministério Público do Estado do Paraná e a Petrobras, sob interveniência do Fundo Brasileiro para a Biodiversidade (FUNBIO) e do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio).

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