Desenvolvimento de novos marcadores moleculares em corais pétreos (Cnidaria: Scleractinia) e avaliação de sua utilidade para a delimitação de novas espécies, caracterização da diversidade genética e conectividade entre populações coralíneas ao longo da costa brasileira
Participação do Mater Natura no Projeto: Instituição Proponente e Executora
Financiador: Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza
Parceiros: Departamento de Zoologia da Universidade Federal do Paraná (UFPR)
Equipe Técnica:
Coordenador: Marcos Barbeitos
Técnicos: Emiliano Calderón; Marcio Roberto Pie
Descrição:
Corais escleractíneos são os principais construtores dos recifes biogênicos tropicais da atualidade, um dos ecossistemas mais ameaçados do mundo. No Atlântico Sul, apenas o Brasil abriga recifes de corais verdadeiros, que se destacam pelo seu alto grau de endemismo. Embora os recifes concentrem-se na costa nordestina, os corais escleractíneos distribuem-se de Santa Catarina ao Ceará, cobrindo cerca de 5.500 km dos 7.500 km do nosso litoral, uma distância maior que a que separa o Brasil da África. Entretanto, até o presente, apenas dois estudos estudos publicados abordaram conectividade entre populações coralíneas brasileiras, sendo que apenas um deles examinou conectividade entre populações das regiões sudeste e nordeste da nossa costa. Nenhum destes estudos considerou o status de conservação destas populações. Esta lacuna é tão mais importante quando se sabe que a Lista Vermelha da IUCN sequer registra a presença de várias espécies no Brasil. Portanto, o atual estado de conservação dos corais brasileiros é virtualmente desconhecido. Esta proposta é um primeiro passo para preencher esta lacuna.
Aplicaremos um método molecular recentemente desenvolvido para: (a) avaliar o tamanho populacional efetivo de espécies selecionadas em parques e áreas de proteção ambiental, amplamente distribuídos do sul ao nordeste da costa brasileira, (b) estimar o fluxo gênico entre estas populações e (c) delimitação de espécies em gêneros de difícil taxonomia.
A motivação para os dois primeiros objetivos vem da grande variação inter populacional dos corais quanto à resiliência a mudanças globais. Como a possibilidade de reversão destas mudanças é incerta, uma das estratégias de conservação mais recomendadas é a manutenção do fluxo gênico entre populações resistentes e vulneráveis. Estimar o tamanho populacional efetivo, a diversidade genotípica e a conectividade entre as reservas existentes é portanto crucial para determinar seu real papel na conservação.
O terceiro objetivo é consequência da impossibilidade de proteger legalmente espécies que não foram formalmente descritas. Discriminação de espécies em corais através de taxonomia clássica é complicada pela plasticidade fenotípica dos caracteres taxonômicos. Delimitação molecular de espécies oferece uma alternativa adequada, já amplamente testada em outros grupos, mas inédita em escleractíneos.
Através do desenho amostral proposto, obteremos estimativas robustas do papel das áreas de proteção ambiental na manutenção da diversidade de escleractíneos do litoral brasileiro e contribuiremos para o conhecimento da riqueza de espécies de nossos corais. Ambos resultados tem implicações imediatas para o Plano de Ação Nacional para a Conservação (PAN) de Ambientes Coralíneos, atualmente em elaboração, e a Lista Vermelha da IUCN.


