Avaliação da vulnerabilidade de extinção das espécies da Floresta Atlântica mediante o uso de redes de interação mutualística entre plantas zoocóricas e aves frugívoras
Participação do Mater Natura no Projeto: Instituição proponente e executora.
Financiador: Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza
Parceiro: Universidade Federal do Paraná – UFPR; Sociedade de Pesquisa em Vida Selvagem e Educação Ambierntal – SPVS
Equipe Executora:
Coordenação Geral: Isabela Galarda Varassin
Técnicos: Carlos Eduardo Zimmermann, Ricardo Pamplona Campos e
Tiago Machado de Souza
Descrição
A relação mutualística existente entre frugívoros e as plantas é de especial interesse para estudos de conservação, principalmente em ambientes tropicais, onde a maior parte das plantas necessita de animais para dispersar suas sementes e completar seu ciclo reprodutivo. Em contrapartida, animais frugívoros, entre eles as aves, estão entre os grupos com maior susceptibilidade a extinção em decorrência da degradação das florestas. A extinção dos frugívoros, e como consequência, a redução nos serviços ecológicos de dispersão, diminuiria a taxa do recrutamento das plantas, aumentando a vulnerabilidade de populações de plantas zoocóricas a extinções locais e limitando a capacidade de resiliência da floresta.
O objetivo deste estudo foi o de determinar a vulnerabilidade de extinção das espécies de aves frugívoras e de plantas ornitocóricas e a participação de cada espécie no equilíbrio da comunidade. Para tanto, o projeto se dividiu em etapas:
• Determinar a estrutura da rede de interações entre aves frugívoras
e plantas da Floresta Ombrófila Densa Montana e Submontana;
• Avaliar a existência e magnitude do efeito da abundância, distribuição
espaço-temporal, fenologia e fenotipia das espécies na estruturação da
rede de interações;
• Determinar a força de interação como medida de vulnerabilidade das
espécies dentro da comunidade;
• Destacar as espécies chave para a conservação e restauração da
comunidade;
• Avaliar as consequências da extinção das espécies mais vulneráveis e das
espécies chave para a conservação e restauração da comunidade;
• Confeccionar um guia de identificação de frutos e sementes da Floresta
Ombrófila Densa.
O projeto foi desenvolvido no litoral norte do Paraná – que ainda mantém um dos maiores remanescente de Floresta Atlântica do Brasil -, nos municípios de Antonina, na Reserva Natural do Morro da Mina de propriedade da Sociedade de Pesquisa em Vida Selvagem e Educação Ambiental (SPVS) e em Guaraqueçaba, na Reserva Natural do Salto Morato de propriedade da Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza.
A coleta de dados foi realizada mensalmente entre janeiro de 2011 e dezembro de 2012, com fases de campo de 10 dias por mês. Os registros de interação foram obtidos através da observação direta das aves consumindo os frutos e da coleta das fezes para obtenção das sementes. Dados de abundância, fenologia, fenotipia e distribuição espaço-temporal, assim como, os registros de interação foram avaliados dentro de quatro parcelas de 2.000X10m, duas em cada reserva, totalizando 8 ha de floresta avaliados.
O estudo da estrutura da rede de interações entre plantas zoocóricas e frugívoros, apesar de ser apenas uma parte da complexa estrutura dos ecossistemas tropicais, pode fornecer informações importantes sobre a dinâmica da comunidade e do que ela precisa para se manter funcional, tendo grande potencial na criação de novas ações de conservação e mitigação dos impactos gerados pela degradação da Floresta Atlântica do sul e sudeste brasileiro.






