Subsídios à conservação da Maria-catarinense – distribuição geográfica e caracterização

Financiador: Fundação Grupo Boticário
Início: 2008
Término: 2009
Financiador: Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza

 

Subsídios à conservação da maria-catarinense (Hemitriccus kaempferi): distribuição geográfica e caracterização de ambiente de ocorrência

 

Participação do Mater Natura no Projeto: Instituição proponente e executora

Financiador: Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza

Parceiros: Instituto Ambiental do Paraná – IAP (concessão de autorização para pesquisa nas UCs Estaduais)

Equipe Executora:
Responsável Técnico: Marcos Ricardo Bornschein
Ricardo Belmonte-Lopes

 

Descrição:

A maria-catarinense (Hemitriccus kaempferi) é um pequeno pássaro com cerca de 10 cm de comprimento que habita as florestas de terras baixas do litoral do Paraná e Santa Catarina. É considerada “criticamente em perigo” no âmbito global, nacional e do Estado do Paraná, sendo uma das aves da floresta atlântica que mais necessita de esforços conservacionistas, uma vez que a maior parte de seu habitat foi convertido em áreas urbanizadas, agricultadas (por exemplo banana, arroz, Pinus spp.) e em pastagens.

Essa ave era conhecida de um único espécime, coletado em 03 de junho de 1929 por Emil Kaempfer, a serviço do Museu Americano de História Natural de Nova Iorque, obtido na região do Salto Piraí, nordeste de Santa Catarina, município de Joinville. Em 1987, Marcos A. Da-Ré desenvolveu um projeto que objetivava localizar a espécie, o qual resultou infrutífero. Nenhuma outra localidade de ocorrência da espécie era conhecida até a década de 90, quando Teixeira e colaboradores divulgaram a existência de um segundo exemplar, depositado no Museu Nacional, coletado em 1950 em Brusque, a cerca de 100 km ao sul da localidade-tipo. Recentemente, novos registros foram efetuados na localidade-tipo e na RPPN Volta Velha, município de Itapoá, litoral norte de Santa Catarina.

No final da década de 1990, M.R. Bornschein e B.L. Reinert descobriram a espécie na região da baía de Guaratuba, litoral sul do Paraná, e em Garuva, Santa Catarina, sendo relativamente comum nos ambientes apropriados (há confirmação mediante gravações, filmagens e fotografias). Recentemente, E. Carrano registrou a espécie ao norte de Guaratuba, no município de Paranaguá.

Por distribuir-se ao longo da costa atlântica, a Floresta Atlântica (sensu stricto) começou a ser impactada pelo homem desde a descoberta do Brasil. O desenvolvimento se expandiu principalmente no contorno leste do Brasil, a ponto de hoje concentrar-se nos domínios da Floresta Atlântica mais de 60% da população do país, a maioria das cidades e os grandes pólos industriais, que respondem por 80% do Produto Interno Bruto (PIB) nacional. Tal quadro de destruição a transformou em uma das duas florestas tropicais mais ameaçadas de todo o mundo. Restando menos de 7% da cobertura vegetal original, muito do que sobrou da floresta atlântica está limitado aos locais de relevo acidentado, onde a exploração é dificultada, denotando quão pressionadas estão as florestas de planícies litorâneas, habitat da maria-catarinense.

Os registros recentes da espécie se concentram em um polígono que representa menos de 20% da área do polígono que se forma considerando-se os seus registros históricos. Devido a isso, é de especial importância a realização de estudos para conhecer a distribuição geográfica atual da maria-catarinense e sua efetiva área de ocupação. Pelo fato da ocorrência conhecida da espécie estar restrita a seis localidades dentro de sua suposta distribuição geográfica, se faz de especial importância elucidar a distribuição e os ambientes de ocorrência desta espécie, assim como acessar o grau de fragmentação das populações da maria-catarinense. Para tanto, o presente projeto contou com o apoio da Fundação Grupo Boticário para visitar 26 municípios do litoral dos Estados do Paraná e Santa Catarina, amostrando áreas de floresta ombrófila densa de terras baixas por meio de pontos de escuta a cada 500 m, com a reprodução do canto da espécie sendo utilizada para facilitar a detecção de indivíduos.

Sempre que possível, a presença da maria-catarinense foi documentada através de gravações, fotos ou filmagens. Nos pontos aonde foi feito o registro da espécie realizou-se a uma descrição da vegetação e aspectos de conservação, sendo utilizada, para a descrição da vegetação, o método de Braun-Blanquet. Os tipos de formações de vegetação destes locais foram denominados conforme os critérios para a classificação da vegetação brasileira propostos pelo Projeto RADAMBRASIL.

Os resultados obtidos serviram de base para reavaliar o status de conservação da maria-catarinense frente aos critérios da World Conservation Union (IUCN) e confeccionar um mapa de distribuição da espécie, assim como subsidiou a elaboração de pareceres técnicos com recomendações sobre a conservação, enviados as autoridades competentes. Os dados levantados também foram divulgados na forma de publicações de artigos e apresentação de painéis em congressos técnico-cientificos, assim como no site do Mater Natura e também por meio de um vídeo-documentário sobre a maria-catarinense que está sendo produzido em parceria com o PROEV – UFPR.

Um conhecimento mais preciso da distribuição geográfica e dos ambientes de ocorrência da maria-catarinense que foi obtido através do presente projeto, possibilita a obtenção de maior eficiência em ações conservacionistas, uma vez que foram levantados dados que permitem reconhecer as áreas de maior importância para conservação da espécie e caracterização de seus ambientes de ocorrência. Além disso, espera-se que a divulgação dos resultados e do vídeo-documentário junto às autoridades competentes e outros tomadores de decisões locais, atuem como ferramentas de conscientização sobre a importância da preservação da maria-catarinense assim como forneçam subsídios concretos à conservação da espécie.

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