Carta do Seminário #VivaAConservação traz prioridades para fortalecer a conservação no litoral do Paraná

Compartilhe esse conteúdo

Documento indica caminhos para os próximos cinco anos, com foco no fortalecimento da gestão, regularização fundiária, participação social e implementação dos instrumentos de gestão

Como transformar os debates sobre conservação em caminhos para o futuro das áreas protegidas do litoral paranaense? A Carta do Seminário #VivaAConservação – Pelo Fortalecimento das Unidades de Conservação do Litoral do Paraná reúne os principais consensos, desafios e propostas construídos a partir das discussões realizadas durante o evento e aponta uma agenda para os próximos cinco anos.

Realizado nos dias 6 e 7 de agosto, no Instituto Federal do Paraná (IFPR), em Paranaguá, o Seminário #VivaAConservação reuniu gestores públicos, pesquisadores, estudantes, organizações da sociedade civil, povos e comunidades tradicionais, proprietários de Reservas Particulares do Patrimônio Natural (RPPNs), representantes do setor de turismo e outros atores envolvidos com a conservação da biodiversidade. Ao todo, foram registradas 245 participações presenciais, com 34 palestrantes e mediadores, além da transmissão online.

A carta sistematiza as contribuições apresentadas por palestrantes, painelistas, mediadores e participantes, incluindo as propostas registradas pelo público no mural participativo do evento. O objetivo do documento é contribuir para políticas públicas e para a construção de compromissos de longo prazo com as Unidades de Conservação (UCs) do litoral do Paraná.

Foto: Guilherme Prebianca

Quatro desafios estruturantes para os próximos cinco anos

Entre as diferentes questões discutidas no seminário, quatro desafios foram identificados como estruturantes para avançar na efetividade das Unidades de Conservação: ampliar e qualificar as equipes responsáveis pelas UCs; avançar na regularização fundiária; implementar efetivamente os instrumentos de gestão; e fortalecer a participação social.

Esses desafios dialogam com uma mensagem que atravessou diferentes mesas e painéis: conservar a biodiversidade exige instituições fortes, políticas públicas permanentes, conhecimento científico aplicado à gestão e participação das pessoas que vivem, trabalham e mantêm relações históricas com os territórios protegidos.

Os debates também evidenciaram a necessidade de ampliar a capacidade técnica das instituições, com mais contratações e capacitação; formação para o uso de geotecnologias, drones e outras ferramentas de monitoramento e fiscalização; integrar bases de dados; considerar os impactos cumulativos de grandes empreendimentos; e fortalecer mecanismos de financiamento capazes de estimular e dar continuidade às políticas de conservação.

Foto: Guilherme Prebianca

Ciência, participação e economia da conservação

A carta reforça que a produção de conhecimento precisa estar diretamente conectada às decisões sobre as áreas protegidas. Monitoramentos de longo prazo, pesquisas aplicadas, ciência cidadã e sistemas compartilhados de informação são apontados como instrumentos fundamentais para orientar o manejo, a restauração, a fiscalização e o planejamento das UCs.

A participação social ocupa lugar igualmente central. O fortalecimento dos conselhos gestores e de outros espaços participativos, o reconhecimento dos direitos e modos de vida de povos e comunidades tradicionais e a construção de relações permanentes de diálogo são apontados como condições para uma gestão mais efetiva e socialmente justa.

Outro eixo é a aproximação entre conservação e desenvolvimento local. O documento destaca o potencial do turismo de natureza, do turismo de base comunitária, da restauração ecológica e das cadeias da sociobiodiversidade para gerar trabalho e renda, além de mecanismos como o Pagamento por Serviços Ambientais (PSA) e o ICMS Ecológico para fortalecer a gestão e ampliar os benefícios da conservação para os territórios.

Foto: Guilherme Prebianca

Dez compromissos para as Unidades de Conservação

A partir dos consensos e prioridades identificados, a carta apresenta dez compromissos para o fortalecimento das UCs do litoral paranaense:

  1. Fortalecer a capacidade institucional das Unidades de Conservação;
  2. Avançar na regularização fundiária e na segurança territorial;
  3. Consolidar uma governança integrada para o território;
  4. Garantir participação social na gestão das Unidades de Conservação;
  5. Reconhecer e fortalecer o papel dos povos e comunidades tradicionais na conservação;
  6. Integrar ciência, monitoramento e gestão adaptativa;
  7. Ampliar a restauração ecológica e a conectividade da paisagem;
  8. Promover o uso público sustentável e uma economia baseada na conservação;
  9. Aperfeiçoar a proteção do território diante das novas pressões ambientais;
  10. Assegurar políticas públicas permanentes para a conservação da biodiversidade.

Esses compromissos apontam caminhos para articular gestão pública, ciência, participação social, conservação e desenvolvimento regional em uma perspectiva de longo prazo.

O documento também chama atenção para pressões que já afetam os ecossistemas costeiros, como grandes empreendimentos, mudanças climáticas, espécies exóticas invasoras, poluição, expansão urbana, caça e extração ilegal de recursos naturais, além de problemas de saneamento e gestão de resíduos. Enfrentar esse conjunto de desafios exige capacidade institucional, planejamento territorial e cooperação entre diferentes setores da sociedade.

Foto: Guilherme Prebianca

Uma construção coletiva

A carta não foi deliberada em plenária durante o seminário. O documento resulta da sistematização das contribuições apresentadas ao longo do evento e passou por revisão e validação junto às instituições parceiras e participantes antes de sua publicação.

Acesse a Carta do Seminário #VivaAConservação – Pelo Fortalecimento das Unidades de Conservação do Litoral do Paraná e conheça os dez compromissos na íntegra: https://maternatura.org.br/wp-content/uploads/2026/09/Carta-do-Seminario-VivaAConservacao.pdf

Para conhecer em detalhes os debates, palestras e painéis realizados durante o evento, confira também a matéria sobre o Seminário #VivaAConservação e a gravação do evento no YouTube.

A campanha e o seminário fazem parte dos projetos Diálogo UC, Estudos da Restauração, e Reservas Particulares do Lagamar Paranaense, realizados pelo Mater Natura e financiados pelo Programa Biodiversidade Litoral do Paraná, com recursos do Termo de Acordo Judicial celebrado entre o Ministério Público Federal, Ministério Público do Estado do Paraná e a Petrobras, sob interveniência do Fundo Brasileiro para a Biodiversidade (FUNBIO) e do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio).

Inscreva-se em nossa Newsletter

Receba mensalmente o nosso informativo.

Posts Relacionados

Notícias

Carta do Seminário #VivaAConservação traz prioridades para fortalecer a conservação no litoral do Paraná

Documento indica caminhos para os próximos cinco anos, com foco no fortalecimento da gestão, regularização fundiária, participação social e implementação dos instrumentos de gestão Como transformar os debates sobre conservação em caminhos para o futuro das áreas protegidas do litoral paranaense? A Carta do Seminário #VivaAConservação – Pelo Fortalecimento das Unidades de Conservação do Litoral

Notícias

Conheça a websérie Diálogos para a Conservação

Fortalecer a conservação da natureza também significa ouvir as pessoas que vivem, trabalham, pesquisam e constroem diariamente a relação com esses territórios. Foi com esse propósito que nasceu o projeto Diálogo UC: Fortalecimento da Gestão Participativa das Unidades de Conservação do Território da APA de Guaratuba, uma iniciativa do Mater Natura – Instituto de Estudos

Rolar para cima