Parceiros: Companhia de Saneamento do Paraná – Sanepar, Instituto Água e Terra – IAT, Instituto Natureza Karuna, Prefeituras dos municípios paranaenses de Campo Largo, Colombo, Campo Magro, Almirante Tamandaré e São José dos Pinhais, Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza – FGBPN, Movimento Viva a Água, Proprietários Rurais com áreas restauradas e prospectadas, Sociedade Chauá
Equipe Executora: Paulo A. Pizzi (Coordenador Geral), Ricardo Pamplona Campos (coordenador Técnico), Aline Morais, Ana Paula Silva, Daniel Zambiazzi Mïller, Helena Zarantonielli da Costa, João Luis Bittercourt Guimarães, Karina Luiza de Oliveira
Descrição e Metodologia:
O projeto está inserido nas bacias hidrográficas do Alto Iguaçu e Alto Ribeira, regiões essenciais para o abastecimento público e manutenção dos recursos hídricos da Grande Curitiba, que concentra aproximadamente 3,72 milhões de habitantes. As ações priorizam áreas de elevada importância ambiental, incluindo regiões associadas ao Aquífero Karst, fundamentais para a infiltração de água, recarga subterrânea e regulação dos fluxos hídricos.
Em 2024 e 2025, foi iniciado o processo de restauração de 42,17 hectares de Floresta Ombrófila Mista (Mata com Araucárias) em quatro municípios da Região Metropolitana de Curitiba: Campo Largo, Campo Magro, Almirante Tamandaré e São José dos Pinhais. As intervenções contemplaram 15 áreas de restauração, envolvendo propriedades rurais privadas e áreas públicas, com o plantio e condução de 67.481 mudas de espécies nativas da Mata Atlântica.
As áreas restauradas estão distribuídas da seguinte forma:
- Campo Largo: restauração de aproximadamente 18,68 hectares, com o plantio de 28.583 mudas nativas em seis propriedades rurais (Karuna, Shangrilá, Zen, Videira – família Vedana, e nas propriedades rurais dos senhores Pedro Luiz Szlachta e Pablo Hoffmann). As ações contribuem diretamente para a conservação das sub-bacias dos rios Passaúna, Verde e demais sistemas associados ao Alto Iguaçu e Alto Ribeira.
- Campo Magro: restauração de aproximadamente 5,87 hectares, com 9.526 mudas nativas plantadas, contemplando áreas como Rio Custódio, Bosque das Abelhas, Rio Passaúna, Parque Dabor e área da SANEPAR. O município possui papel estratégico pela presença de importantes mananciais e áreas de contribuição hídrica para abastecimento da Região Metropolitana de Curitiba.
- Almirante Tamandaré: restauração de 3,48 hectares no Parque Municipal Aníbal Khury, com o plantio de 5.801 mudas nativas, contribuindo para a recuperação da vegetação nativa em áreas públicas e fortalecimento da conectividade ecológica urbana.
- São José dos Pinhais: restauração de 14,14 hectares em propriedade rural do Sr. Álvaro, localizada na região do Miringuava, com o plantio de 23.571 mudas nativas, representando a maior área contínua restaurada pelo projeto.
Do total restaurado, 32,82 hectares estão localizados em propriedades privadas e 9,35 hectares em áreas públicas, demonstrando a importância da integração entre proprietários rurais, municípios e instituições parceiras para ampliar a escala da restauração.
As estratégias adotadas incluem o plantio de espécies nativas de alta diversidade, manejo de áreas degradadas, controle de espécies exóticas invasoras, condução da regeneração natural e manutenção adaptativa das áreas restauradas. A seleção das espécies prioriza a recuperação da estrutura e funcionalidade da Floresta com Araucárias, incluindo espécies de importância ecológica e ameaçadas de extinção.
O acompanhamento das áreas ocorre por meio de um programa de monitoramento ecológico de longo prazo (2025–2030), com a instalação de 58 parcelas permanentes de monitoramento, levantamentos periódicos de indicadores ambientais e uso de tecnologias como drones, imagens aéreas e geoprocessamento para avaliar a evolução da restauração.
Além da recuperação ambiental direta, o projeto fortalece a cadeia produtiva da restauração ecológica, envolvendo viveiros de espécies nativas, coletores de sementes, prestadores de serviços ambientais, proprietários rurais, universidades, empresas e organizações parceiras.
Com benefícios integrados para água, biodiversidade e clima, o projeto Alto Iguaçu: Florestas para Águas Mais Seguras demonstra como a restauração de ecossistemas nativos pode contribuir para aumentar a resiliência hídrica da Região Metropolitana de Curitiba, ampliar estoques de carbono, recuperar habitats e reconectar paisagens da Mata Atlântica.
