
A conservação da Mata Atlântica no litoral do Paraná ganhou um importante reforço. A Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN) Esperança, localizada em Morretes, foi oficialmente reconhecida pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) por meio da Portaria nº 2.512, de 26 de maio de 2026, publicada no Diário Oficial da União. A nova unidade de conservação também foi anunciada durante evento realizado em Brasília, na programação da Semana Nacional do Meio Ambiente.
A criação da RPPN Esperança é resultado do trabalho desenvolvido pelo projeto Reservas Particulares do Lagamar Paranaense, executado pelo Mater Natura – Instituto de Estudos Ambientais com financiamento do Programa Biodiversidade Litoral do Paraná. O processo contou com suporte técnico ao proprietário da área, incluindo orientações e acompanhamento das etapas necessárias para o reconhecimento oficial da reserva.
Com aproximadamente 16 hectares de Mata Atlântica preservada, a RPPN está situada em uma região estratégica para a conectividade ecológica do Lagamar Paranaense. A área conecta importantes remanescentes florestais localizados entre o Parque Estadual Pico do Marumbi, o Parque Estadual Graciosa e a RPPN Graciosa, contribuindo para a formação de corredores ecológicos fundamentais para a fauna e a flora da região.
O reconhecimento da reserva ocorreu em um momento de fortalecimento da política nacional de apoio às RPPNs. Durante a Semana Nacional do Meio Ambiente de 2026, o ICMBio anunciou a criação de seis novas Reservas Particulares do Patrimônio Natural em diferentes regiões do país, entre elas a RPPN Esperança. Na mesma ocasião, o Instituto lançou uma nova plataforma digital para gestão das reservas e apresentou avanços na revisão das normas que regulamentam essas unidades de conservação. Segundo o órgão, o Brasil conta atualmente com 827 RPPNs federais, que protegem quase 500 mil hectares de áreas naturais.

As RPPNs são unidades de conservação criadas voluntariamente por proprietários rurais que decidem destinar parte de suas terras à proteção permanente da biodiversidade. Embora permaneçam sob domínio privado, essas áreas passam a ter proteção legal perpétua e podem apoiar atividades de pesquisa científica, educação ambiental, turismo de natureza e monitoramento da biodiversidade.
A oficialização da RPPN Esperança representa mais um avanço para a conservação da Mata Atlântica no litoral do Paraná e reforça a importância das iniciativas de conservação voluntária para complementar a proteção oferecida pelas unidades de conservação públicas. O reconhecimento também demonstra os resultados alcançados pelo projeto Reservas Particulares do Lagamar Paranaense, que desde 2023 atua na criação e fortalecimento de reservas privadas na região, promovendo ações como inventários de fauna e flora, elaboração de planos de manejo e apoio à gestão das áreas protegidas.


Imagens aéreas da RPPN Esperança, em Morretes – Acervo Mater Natura
O projeto Reservas Particulares do Lagamar Paranaense é financiado pelo Programa Biodiversidade Litoral do Paraná com recursos do Termo de Acordo Judicial celebrado entre o Ministério Público Federal, Ministério Público do Estado do Paraná e a Petrobras, sob interveniência do Fundo Brasileiro para Biodiversidade (FUNBIO) e do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade(ICMBio), no âmbito do processo de Cumprimento de Sentença no 5001337- 92.2012.4.04.7008, provenientes das Ações Civis Públicas 0000041-91.2010.404.7008 (PR) e no 200270080002601, movidas pelo IAP – Instituto Ambiental do Paraná e pelo MPPR e MPF, respectivamente, em face de Petróleo Brasileiro S/A – Petrobras.


