Cultura Viva da Ilha do Mel

Financiador: Ministério da Cultura
Início: 2008
Término: 2015
Financiador: Ministério da Cultura - MinC

 

Cultura Viva da Ilha do Mel

 

Participação do Mater Natura no Projeto: Instituição proponente e executora

Financiador: Ministério da Cultura – MinC

Parceiros: Governo do Estado do Paraná; Instituto Ambiental do Paraná – IAP; Companhia de Informática do Paraná – Celepar; Prefeitura Municipal de Paranaguá; Secretaria Estadual de Educação de Paranaguá; Escola Municipal Nova Brasília; Associação MarBrasil; Universidade Federal do Paraná – UFPR; Departamento de Comunicação – DECOM; Laboratório de Informática – grupo Imago; Pontifícia Universidade Católica do Paraná – PUCPR; Fundação Roberto Marinho (Canal Futura); Projeto Ecofalantes da Ilha do Mel (Instituto Sadia / Mater Natura); Projeto Jovem Mostre sua Cara (FNMA / Mater Natura).

Equipe Executora:
Coordenação: Adriana Marques Canha
Equipe Técnica: Leandro Borgonha; Juliana Vitulskis

 

Descrição:

O Programa Cultura Viva

O projeto Ponto de Cultura da Ilha do Mel foi uma parceria com o Ministério da Cultura (MinC), por intermédio do Programa Cultura Viva. Esses pontos contemplam iniciativas desenvolvidas pela sociedade civil e funcionam com o objetivo de valorizar e impulsionar as ações que já existem nas comunidades, ou estimular novas ações, sem impor modelos de gestão. Atualmente, existem mais de 650 Pontos de Cultura espalhados pelo país, que interagem entre si formando uma rede articulada de gestão cultural.

Para facilitar e estimular a troca de experiências entre os pontos é previsto no programa, a ação Cultura Digital. Parte do incentivo recebido no início do projeto é utilizado para aquisição de equipamentos multimídia que se somam à ação das oficinas de capacitação para manuseio destes equipamentos. Além disso, a tecnologia utilizada opera em software livre e gratuito, em que o código fonte dos programas é aberto e pode ser modificado por toda a comunidade que o utiliza. Traz consigo conceitos e práticas de compartilhamento tecnológico, generosidade intelectual e trabalho colaborativo.

Há ainda a ação Escola Viva, que visa integrar os Pontos de Cultura às escolas, de modo a colaborar para a construção de um conhecimento reflexivo e sensível por meio da cultura. Essa ação possibilita resgatar a interação entre cultura e educação.

A Ilha do Mel

A Ilha do Mel, localizada no litoral do Paraná, tem 93% de sua área como Unidade de Conservação de Proteção Integral. Nos outros 7%, encontram-se as comunidades de Encantadas e Nova Brasília, com uma população de aproximadamente 911 pessoas.

Por apresentar belezas cênicas e praias adequadas à prática de surf, o índice de visitação da Ilha do Mel tem aumentado progressivamente nos últimos 30 anos. Na alta temporada, principalmente nos meses de dezembro até março, o turismo é intenso e particularmente desordenado. As influências sofridas com o impacto de diversas culturas que trazem outros modelos socioeconômicos geram conflitos ambientais, políticos, morais, sociais, econômicos e culturais que resultam na degradação do ecossistema local e da cultura e tradição das comunidades.

Para os jovens de 13 a 24 anos, 10% da população local, que representam a continuidade dos hábitos e costumes da Ilha, restam poucas perspectivas em relação às oportunidades locais de estudo e trabalho. Os jovens dependem da alta temporada para trabalhar, ou têm de partir para continuar seus estudos. Há uma enorme perda de identidade cultural e a mudança de valores é inevitável com tantas informações, muitas vezes equivocadas, trazidas “de fora”, como o estímulo ao uso de drogas.

Estímulo Cultural

Recuperar e valorizar a identidade cultural da Ilha do Mel por meio da linguagem artística é resgatar suas raízes. Para tanto, o projeto se utilizou do teatro para estimular a arte na comunidade da Ilha do Mel, resgatar sua identidade e auto-estima, e expor tais valores à própria comunidade e aos seus visitantes.

O teatro foi escolhido por poder representar convenções socioculturais historicamente produzidas e oferecer subsídios para reorganizar o pensamento estético. Através da vivencia das diferenças de classe, de gênero e da influência desses aspectos na produção artística, os participantes puderam encontrar instrumentos para enfrentar problemas cotidianos com mais autonomia.

A troca de experiências e os reencontros com suas fontes míticas ancestrais foram proporcionados pelos Griôs, convidados a compartilhar suas histórias e seu saber-fazer a respeito do mundo natural – e sobrenatural. Artistas locais tiveram um espaço para articular e transmitir seus processos criativos. De forma construtiva, os orientadores refletiram com os moradores em relação ao ambiente e sua história. Os espetáculos teatrais materializaram eventos históricos e folclóricos, presentificando a memória que assim é vista, ouvida e tocada.

Relação com a escola e outras instituições sociais

O Ponto Cultura Viva da Ilha do Mel possuiu caráter de articulação e difusão de outras iniciativas como escolas, associações, artistas locais e pesquisadores que venham a contribuir para a recuperação, caracterização e manutenção da cultura da ilha.

A partir dessa interação, foram formados agentes multiplicadores, pela liberdade de aprender, ensinar, pesquisar e divulgar a cultura, a arte e seus saberes, bem como estimular a prática artística e pedagógica em sua comunidade.

Difusão da Cultura

O projeto também objetivou registrar a criatividade da comunidade em produtos audiovisuais e digitais, usando a tecnologia da comunicação em seu mais alto propósito: a democratização do conhecimento. Os equipamentos multimídia adquiridos pelo Ponto de Cultura instrumentalizaram a gestão cultural compartilhada. Foi retornado à comunidade todo o conhecimento tradicional resgatado, às manifestações artísticas, e às iniciativas criativas e inovadoras o devido tratamento e importância. O material registrado e coligido deve ser difundido em rede virtual e real, e arquivado num banco de dados para possíveis iniciativas de publicação.

A mobilização da população, e sua atuação coletiva em torno de soluções socioambientais, se daram a partir dos mais diferentes contextos, perspectivas e experiências. Para tanto, foram realizadas oficinas de jornalismo comunitário, rádio, audiovisual, animação digital e fotografia.

Os esforços da ação comunicativa foram baseados no diálogo, e a gestão dos meios de comunicação organizada a partir da interação com a comunidade. O objetivo foi o de formar uma cultura dialógica e, a partir da percepção dos moradores da ilha, mais e mais conscientes de suas responsabilidades socioambientais, sensibilizar aos mais de 150 mil visitantes anuais sobre a fragilidade do ecossistema local, incluindo seus habitantes.

Complementação de outros projetos do Mater Natura

De 2005 a 2008, a Ilha do Mel recebeu o projeto Jovem, Mostre A Sua Cara!, executado Mater Natura com financiamento do Fundo Nacional do Meio Ambiente. Somado a esta proposta, o projeto Cultura Viva da Ilha do Mel, executado em várias etapas temporais entre 2008 até meados de 2015, representou seu desdobramento e continuidade. Os espectadores foram as próprias comunidades, ainda mais aptas a revelarem aos seus visitantes, sua riqueza ambiental e sua identidade.

E junto ao Ponto de Cultura se desenvolveu conjuntamente o Projeto Ecofalantes Ilha do Mel, financiado pelo Instituto Sadia, que teve o objetivo de fomentar a criação de produtos de comunicação ambiental com caráter educativo, em linguagem radiofônica. Toda produção se deu a partir do debate e da produção participativa, que também é capaz de fomentar processos educativos. O processo que norteia a ação é a Educomunicação – reflexão e ação, que une Educação e Comunicação Social, e possibilita a cogestão, isto é, a real possibilidade de uma outra forma de convivência social, fundada na valorização do indivíduo como sujeito, no respeito ao outro e na tomada conjunta de decisões.

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