Tenha paciência, afinal são 344 espécies
Enviar para um amigo
Design: AURUS © 2004
Tecnologia: GB2 © 2004
 > SÍNTESE

Fauna ameaçada no Paraná: uma síntese

Sandra Bos Mikich
Renato Silveira Bérnils
Paulo Aparecido Pizzi

O conjunto das informações contidas nesta obra é indiscutivelmente importante para a conservação no Estado do Paraná, não somente em função da grande quantidade de dados fornecidos sobre diferentes grupos faunísticos, como também por sua sistematização em um único documento. Apresentamos aqui uma análise da situação da fauna no Estado com o objetivo de sintetizar as informações reunidas e organizadas pelos autores nos capítulos precedentes.

Status das espécies da fauna no Paraná

O status das espécies de todos os grupos de vertebrados foi analisado, incluindo peixes e anfíbios - que não estavam presentes na versão anterior. No caso dos invertebrados, no entanto, apenas a Ordem Lepidóptera e parte de Hymenoptera (Apoidea) foram incluídas em função da disponibilidade de dados pertinentes às análises propostas, bem como de especialistas dispostos a executá-las, já que o convite para a participação no esforço de elaboração dessa obra foi estendido a pesquisadores de outros grupos, como Coleoptera, Diptera e Homoptera (Insecta), Crustacea, Miriapoda, Arachnida, Mollusca, Annelida, Echinodermata, Hydrozoa e Bryozoa, além de Ascidiacea. Cabe salientar que todos esses grupos possuem especialistas no Paraná e, portanto, espera-se que no futuro passem a enriquecer esforços para a conservação da fauna desse Estado.

Assim, foram aqui relacionadas 163 espécies ameaçadas para o Paraná, distribuídas em quatro categorias - RE, CR, EN e VU, sendo 69 aves, 32 mamíferos, 22 peixes, 18 abelhas, 15 lepidópteros, quatro anfíbios e três répteis (Tabela 1). Este total inclui quatro espécies que já desapareceram no Estado, três aves (gralhão, Daptrius americanus; uiraçu-falso, Morphnus guianensis; codorninha, Taoniscus nanus) e um mamífero (preguiça-de-três-dedos, Bradypus variegatus), indicando que os esforços de conservação devem ser incrementados para que outras espécies, principalmente aquelas que se encontram criticamente em perigo e que hoje representam uma parcela significativa das espécies ameaçadas (n=41 ou 25% do total ameaçado) não venham também a desaparecer em um futuro próximo.

Além da presença de espécies RE, a ordem reversa entre o número de espécies ameaçadas por categoria e o grau de ameaça sinaliza que, tal como o observado no Estado de Minas Gerais (Fonseca & Lins, 1998), a dinâmica da perda de espécies no Paraná já se encontra estabelecida. Além disso, conforme apontado por Fonseca & Lins (1998), indica que a análise feita pelos especialistas que subsidiaram a elaboração desta obra foi criteriosa, refletindo ao menos parcialmente a realidade da fauna do Estado.

Seguindo-se os critérios adotados no processo de revisão da lista nacional (2003), procurou-se também aqui manter um caráter conservativo, assegurando uma maior atenção às espécies efetivamente sujeitas a algum tipo de ameaça (portanto nas categorias RE, CR, EN e VU), e menor àquelas cujas informações não permitiram o enquadramento em alguma das categorias (espécies DD). Assim, aos taxa aqui considerados como tal (n=138), bem como àqueles tidos como NT (n=43), caberá uma nova checagem em revisões futuras, servindo como um estímulo para que os próprios pesquisadores se empenhem em definir seu status de ameaça.

Tabela 1. Número de espécies por grupo taxonômico contidas em cada categoria de ameaça (incluindo NT e DD) no Estado do Paraná.


Comparação com a lista anterior

Embora inevitável, a comparação da lista aqui proposta com a lista anterior (Tabela 2), divulgada em 1995, deve ser realizada com extrema cautela.

Primeiro, há que se ressaltar que as categorias e os critérios adotados para a confecção dessas listas não foram iguais. Os critérios atuais para a inclusão de espécies em listas de ameaçados (IUCN, 2001; Gärdenfors et al., 2001) são muito mais restritivos e objetivos do que os anteriores, que eram subjetivamente embasados na experiência dos autores. Assim, o que poderia ser interpretado como uma diminuição no número de espécies ameaçadas, como observado em aves e répteis, deve-se, na realidade, a uma correção metodológica proveniente de análises muito mais seguras e informações mais concretas, fornecendo uma visão mais realista e precisa da fauna ameaçada de extinção no Paraná.

Segundo, conforme apontado na introdução do capítulo sobre répteis, e válido para todos os grupos, “soma-se a isso as dificuldades inerentes à coleta de dados de distribuição geográfica, ocupação de hábitats e biologia das espécies menos comuns, que podem determinar uma subestima da ameaça real a que estão sujeitas”. Neste caso, muitas das espécies que foram consideradas DD, deverão, com a aquisição de novos conhecimentos, sofrer um upgrade, passando a avolumar a lista de espécies efetivamente ameaçadas.

Terceiro, alguns grupos, como peixes e anfíbios, possuem um número elevado de taxa ainda não descritas formalmente e, portanto, não incluídas na presente revisão por força dos critérios definidos pela IUCN, mas que podem estar ameaçadas. No caso dos anfíbios, por exemplo, os autores estimam que 10% da batracofauna do Estado ainda não tenham sido descritos.

Quarto, mas não menos importante, na lista atual houve a inclusão de três novos grupos - abelhas, peixes e borboletas, que juntos somaram 44 (27%) das 163 espécies atualmente ameaçadas no Estado. Além disso, no grupo de mamíferos há que se considerar que a versão anterior também não incluía os morcegos e os chamados “pequenos mamíferos”. Assim, uma parcela significativa do suposto aumento do número de espécies ameaçadas no Estado deve ser creditada à inclusão desses grupos faunísticos na análise.

Tabela 2. Número de espécies ameaçadas* por grupo taxonômico na lista anterior do Estado do Paraná (Tossulino et al., 1995) e na lista atual. Onde: nc= grupos taxonômicos que não constavam da lista anterior.

* não inclui as categorias NT e DD
** não incluía morcegos e pequenos mamíferos
*** correção metodológica proveniente de análises mais seguras e precisas

Percentual de espécies ameaçadas no Estado por grupo taxonômico            

A Tabela 3 demonstra que os grupos com maior percentual de espécies ameaçadas no Estado (número de espécies ameaçadas / número total estimado de espécies) são os mamíferos e as aves, seguidos de abelhas, anfíbios, peixes, répteis e borboletas. Quando são incluídas no numerador também as espécies NT e DD, os mamíferos e as aves repetem-se como os grupos em situação mais preocupante, somando-se a eles, porém, os anfíbios, aos quais se seguem os répteis, peixes, abelhas e borboletas. Portanto, independente da análise efetuada a ordem dos grupos manteve-se mais ou menos inalterada, com exceção das abelhas.

A presença dos mamíferos e das aves encabeçando essa relação pode ser parcialmente explicada pela presença de muitas espécies de grande e médio porte, que muitas vezes apresentam dependência de ecossistemas contínuos e/ou pouco alterados, já praticamente inexistentes no Estado, além de sofrerem grande pressão direta da caça e do comércio ilegal.

Mais importante do que identificar que grupos estão mais ou menos ameaçados, porém, é destacar que uma parcela significativa da fauna ocorrente no Estado está ameaçada e, caso nada seja feito para conter o processo de extinção no Paraná, o resultado será a perda inestimável da diversidade biológica que hoje abriga.

Tabela 3. Percentual de espécies ameaçadas/grupo taxonômico no Estado do Paraná.

* valores aproximados, com exceção de mamíferos e répteis
** inclui RE

A situação da fauna nos biomas do Estado

Este item objetiva avaliar a situação da fauna nos biomas paranaenses a partir do número de espécies ameaçadas (RE, CR, EN, VU), quase ameaçadas (NT) ou com dados insuficientes (DD) encontradas nos mesmos (Tabela 4).

A classificação dos biomas segue a proposta apresentada por SEMA (2003). No entanto, foram acrescentadas categorias mais abrangentes para contemplar espécies que não habitam um único bioma, como a Floresta Estacional Semidecidual, mas dois ou mais ambientes florestais, ou ainda para aquelas que ocupam tanto ambientes florestais como campestres, colocadas sob “misto”. No caso de espécies aquáticas, com exceção de aves e mamíferos, que foram enquadrados na categoria “aquático”, foram utilizadas as principais bacias do Estado. Porém, neste caso também foi necessária a criação de classes mais abrangentes, como “bacia”, para a ocorrência em duas ou mais bacias do Estado. O ambiente marinho, por sua vez, foi dividido em demersal e pelágico.

Uma análise geral da conservação do Estado, dividido em quatro regiões, foi também apresentada na Introdução do capítulo sobre peixes e poderá ser consultada para complementar as informações aqui apresentadas.

Examinando cada grupo taxonômico isoladamente, percebe-se que:

1. Mamíferos
1.1. os mamíferos ameaçados ocupam em grande parte (n=14, 44%) ambientes florestais e campestres, chamados aqui de “misto”, embora um percentual significativo (25%) englobe espécies estritamente florestais. Estas, porém, ocorrem em mais de uma formação florestal.
1.2. os mamíferos DD ocupam principalmente o ambiente “misto”, bem como a Floresta Estacional Semidecidual e a Floresta Ombrófila Densa.

2. Aves
2.1. a maioria das aves ameaçadas ocorre principalmente (n=20) nos ambientes florestais, havendo ainda uma parcela significativa que ocorre exclusivamente na Floresta Estacional Semidecidual (n=15).
2.2. as espécies NT e DD também se concentram principalmente no ambiente florestal (respectivamente, 17 e 27 espécies).

3. Répteis
3.1. os poucos répteis categorizados como ameaçados ocorrem nos Campos Naturais ou Estepe Gramíneo-Lenhosa (n=2) e na bacia do rio Iguaçu (n=1).
3.2. já as espécies DD dividiram-se entre os Campos Naturais e os ambientes florestais.

4. Anfíbios
4.1. os quatro anfíbios ameaçados são florestais, mas ocorrem exclusivamente em uma ou outra formação: Floresta Estacional Semidecidual, Floresta Ombrófila Densa ou Floresta Ombrófila Mista.
4.2. as espécies DD também são todas florestais, concentrando-se principalmente na Floresta Ombrófila Densa (n=13).

5. Peixes
5.1. os peixes de água doce ameaçados são em sua maioria da bacia do rio Paraná (n=8), embora a bacia do rio Iguaçu também contenha um número expressivo de espécies ameaçadas (n=5). As espécies ameaçadas marinhas são basicamente demersais.
5.2. as poucas (n=3) espécies NT, todas de água doce, ocorrem na bacia do rio Paraná.
5.3. já as espécies DD de água doce concentram-se nos riachos litorâneos (n=6) e as espécies de ambientes marinhos distribuem-se uniformemente entre demersais (n=8) e pelágicas (n=8).

6. Abelhas
6.1. as abelhas ameaçadas ocorrem principalmente na Floresta Ombrófila Densa (n=6) e no Cerrado (Savana Arborizada) (n=4).

7. Borboletas
7.1. as borboletas e mariposas ameaçadas ocorrem basicamente nos ambientes florestais, sendo algumas espécies restritas a uma formação (FES, FOD ou FOM) e outras comuns a duas ou mais delas. Um número significativo (n=3) também ocorre nos Campos Naturais (Estepe Gramíneo-Lenhosa).

No geral, os ambientes florestais, que dominam o Estado, contêm a maior parte das espécies ameaçadas terrestres, destacando-se a Floresta Estacional Semidecidual como detentora de grande parte da fauna paranaense ameaçada. Certamente esta condição está relacionada ao elevado grau de destruição e fragmentação desta formação florestal, principalmente na porção noroeste do Estado, onde deu lugar aos cultivos e pastagens. É importante destacar que o Cerrado, embora ocupe uma porção muito pequena do Estado, abriga um número elevado de espécies ameaçadas (seis aves e quatro abelhas), provavelmente em função dos endemismos e do elevado grau de alteração antrópica deste bioma.

Quando as espécies NT e DD também são consideradas, embora o ambiente florestal também seja predominante, percebe-se uma distribuição mais uniforme no número de espécies sob risco nos diferentes ambientes, destacando-se a Floresta Ombrófila Densa, a Floresta Estacional Semidecidual e o ambiente “misto”, indicando que os ambientes mais abertos (Cerrado e Campos Naturais) abrigam uma parcela significativa de espécies sob algum risco de extinção.

Para as espécies aquáticas (exceto de mamíferos e aves), as bacias dos rios Paraná e Iguaçu são os ambientes que abrigam o maior número de ameaçadas, além do ambiente marinho demersal. Considerando também as espécies DD e NT, o ambiente marinho pelágico, onde se concentra um grande número de espécies de répteis e peixes DD, também se destaca por conter um percentual significativo de animais sob risco de extinção.

Portanto, embora alguns biomas terrestres ou aquáticos destaquem-se pela presença de um maior número de espécies ameaçadas, a maior parte dos biomas e ecossistemas do Estado do Paraná encontra-se sob risco em função das alterações antrópicas provocadas pela expansão urbana, uso inadequado do solo, desmatamento, assoreamento, poluição, exploração dos recursos naturais etc. Assim, é preciso buscar, com urgência, remanescentes significativos de todos os biomas do Estado, protegendo-os integralmente através de unidades de conservação de uso restrito, além de fazer cumprir a legislação no que diz respeito à conservação do solo, à proteção dos corpos d'água, à caça e à pesca ilegais.

Principais ameaças à fauna paranaense

De maneira geral, a maior ameaça à fauna do Estado é a destruição ou alteração dos ambientes naturais, sejam eles terrestres ou aquáticos (Tabela 5). Esta ameaça, que engloba os desmatamentos, a implantação de extensas áreas agrícolas, pastagens e monoculturas exóticas (p. ex. pínus), as atividades de exploração mineral e as alterações físicas e estruturais dos corpos d'água, é a principal responsável pela situação de 88% das espécies ameaçadas, 93% das espécies NT e 86% das espécies DD. No conjunto, a destruição dos hábitats é o principal fator responsável pela inclusão de 88% das espécies constantes na presente obra.

Tabela 4. Biomas de ocorrência das espécies ameaçadas (RE, CR, EN, VU), quase ameaçadas (NT) e com dados insuficientes (DD) da fauna no Estado do Paraná.

Legenda
GRUPO (grupo taxonômico): MAM= mamíferos; AVE= aves; REP= répteis; ANF= anfíbios; PEI= peixes; ABE= abelhas; BOR= borboletas
CAT (categoria de ameaça): am= ameaçadas, incluindo as categorias RE, CR, EN e VU; NT= quase ameaçadas; DD= dados insuficientes
BIOMAS: FES= Floresta Estacional Semidecidual; FOD= Floresta Ombrófila Densa; FOM= Floresta Ombrófila Mista; FPF= formações pioneiras de influência fluvial, fluviomarinha e marinha; EGL= Estepe Gramíneo-Lenhosa (Campos Naturais); SAR= Savana Arborizada (Cerrado); flo= ocorrência em dois ou mais ambientes florestais (FES, FOD, FOM); cam= ocorrência nos dois ambientes campestres (EGL e SAR); mis= ocorrência em dois ou mais ambientes florestais e campestres; aqu= ambientes aquáticos; RLI= riachos litorâneos; BRP= bacia do rio Paraná; BRI= bacia do rio Iguaçu; BRR= bacia do rio Ribeira; bac= ocorrência em mais de uma bacia; AMD= ambientes marinhos e estuarinos demersais; AMP= ambientes marinhos e estuarinos pelágicos.

Tabela 5. Principais ameaças à fauna no Estado do Paraná.

Legenda
GRUPO (grupos taxonômicos) e CAT (categoria de ameaça) – vide legenda Tabela 3.
AMEAÇAS: DH – destruição de hábitat, podendo ser parcial ou total, incluindo desmatamentos, modificação e supressão da vegetação nativa para implantação da agricultura, pecuária, reflorestamentos com monoculturas exóticas, mineração e alterações nos corpos d'água; PO – poluição: acústica, no caso de embarcações, química: proveniente de esgotos domésticos e industriais, e resíduos agroquímicos, além de acidentes químicos; inclui também a poluição causada por resíduos sólidos; QU – queimadas, principalmente criminosas; CA – caça, incluindo caça esportiva, para alimentação ou para uso de partes do animal para confecção de amuletos e adornos ou na medicina popular; inclui ainda a predação por cães ferais e o abate de morcegos para controle da raiva; EI – expansão imobiliária; FA – perda de fontes alimentares e desequilíbrio ecológico, podendo a primeira ser causada pela destruição direta da fonte alimentar, sua contaminação ou exploração; FI – falta de informações a respeito da biologia/ecologia da espécie; CI – comércio ilegal: apanha de espécimes para serem vendidos como animais de estimação, incluindo a aquariofilia e o comércio de peles; HR – hidrelétricas e represas; SP – sobrepesca; PA – pesca acidental em redes ou espinhéis; AG – agroquímicos: podendo ser por aplicação direta sobre os indivíduos ou suas fontes alimentares, ou ainda por penetração no solo ou lixiviação para corpos d'água; TU – turismo desordenado em cavernas, áreas montanhosas e ilhas ou com uso de embarcações; EE - introdução de espécies exóticas que podem atuar como predadoras ou competidoras; DO – doenças transmitidas por animais domésticos; AT – atropelamentos.
No caso de Peixes, o primeiro valor refere-se sempre às espécies marinhas e o segundo às de água doce.

O segundo fator mais impactante para a sobrevivência da fauna é a poluição, tanto química, quanto sonora, podendo ser causada por embarcações, esgotos domésticos e industriais, despejos irregulares de lixo e acidentes químicos. Este fator, geralmente aliado ao primeiro, é responsável pela situação de quase 22% da fauna em risco do Estado.

As queimadas, principalmente de caráter criminoso, com o objetivo de “limpar” áreas de Campo e Cerrado, são mais um importante fator de ameaça intimamente relacionado ao primeiro. Foram citadas como importante causa de ameaça para quase 18% das 344 espécies incluídas na presente obra. Com um percentual de impacto semelhante (17%) aparece a caça, tanto para a alimentação, quanto para a recreação ou obtenção de amuletos e adornos, ou para uso na medicina popular. Esta categoria inclui ainda o abate de animais por cães ferais e o abate de morcegos para o controle da raiva.

Três outros fatores com impacto (quantitativo) semelhante (aproximadamente 13% das espécies listadas são afetadas por eles) são as expansões imobiliárias que vêm ocorrendo principalmente no litoral do Estado e está intimamente relacionada à destruição do hábitat e à poluição, a perda de fontes alimentares, principalmente devido à sua extração ou contaminação, e a falta de informações básicas sobre as espécies, impedindo que medidas efetivas de proteção possam ser tomadas para a sua proteção.

O comércio ilegal ou tráfico de espécies da fauna também é responsável por uma parcela significativa (9%) das ameaças impostas a estas, atingindo principalmente mamíferos, aves e peixes (aquariofilia). A construção de usinas hidrelétricas e represas, que alteram a dinâmica dos corpos d'água e alagam porções consideráveis do território, ameaça, em maior ou menor grau, 8% das 344 espécies aqui relacionadas. Com impacto semelhante aparecem ainda a sobrepesca, a pesca acidental (que ameaça mamíferos, aves e répteis, além dos peixes) e o uso indiscriminado de agroquímicos,principalmente aqueles aplicados por aviões, que contaminam os animais e seus alimentos, além do solo e da água.

O turismo em cavernas, áreas montanhosas e ilhas também pode ser danoso para a fauna quando realizado sem controle. Esta atividade é responsável por colocar em risco 17 espécies no Estado, principalmente mamíferos, aves e anfíbios. Outros fatores de impacto para a fauna paranaense são a introdução de espécies exóticas, que vem ameaçando alguns peixes (três espécies), as doenças transmitidas por animais domésticos, que colocam sob risco cinco mamíferos silvestres, e os atropelamentos, que também vêm causando declínios perceptíveis nas populações de quatro espécies de mamíferos e um anfíbio.

Quando examinados os grupos taxonômicos separadamente, percebemos que os principais fatores de ameaça aos mamíferos são, além da destruição do hábitat, a caça e a perda de fontes alimentares, que juntos representam 66% dos registros para este grupo. No caso das aves a poluição, as queimadas, a carência de informações sobre várias espécies, a caça, a expansão imobiliária e o tráfico são, junto com a supressão da vegetação, as principais causas do declínio populacional da maioria das espécies. Para os répteis, além da alteração do ambiente, da poluição e das queimadas, outro fator que afeta significativamente a sobrevivência de várias espécies é a pesca acidental.

Os anfíbios, por sua vez, são particularmente afetados pela alteração do ambiente, pela poluição e pelo turismo, que quando exercido sem controle, pode danificar seriamente pequenas populações isoladas. No caso dos peixes marinhos a sobrepesca, a pesca acidental e a falta de informações sobre a biologia e a ecologia das espécies, são os principais fatores de ameaça. Já para as espécies de água doce, os fatores mais impactantes são a destruição ou alteração dos corpos d'água e ambientes circunvizinhos, que estão particularmente relacionadas à construção de barragens e usinas hidrelétricas ou à expansão imobiliária que ocorre na planície litorânea do Estado.

A quase totalidade das abelhas está ameaçada em função da alteração dos seus hábitats, sendo a perda de fontes alimentares, o uso de agrotóxicos e a expansão imobiliária outros fatores de impacto significativos. Para os lepidópteros, a extinção de espécies está diretamente relacionada à destruição dos ambientes e ao uso do fogo para a “limpeza” de ambientes abertos naturais.

Medidas de conservação

As medidas de conservação propostas pelos autores ao longo dos capítulos foram reunidas em sete categorias: proteção/recuperação de hábitats, pesquisas, fiscalização/controle, educação ambiental, conservação ex situ, reintrodução e saneamento básico. O volume de espécies por grupo, para as quais foram propostas tais medidas, pode ser apreciado na Tabela 6, a qual apresenta ainda o montante de pesquisas conduzidas com estes animais no Estado.

Em função da grave situação em que se encontram os ambientes naturais terrestres e aquáticos no Estado do Paraná, e do grande número de espécies ameaçadas em função desse fator, a principal medida proposta para reverter este quadro é a proteção e/ou recuperação desses ambientes através da criação, ampliação ou implementação de unidades de conservação de uso restrito, bem como através da implantação de corredores formados, principalmente, através da recuperação de florestas ciliares.

A proposição de pesquisas para ampliação do conhecimento sobre as espécies e o seu monitoramento também foi considerada fundamental para a sobrevivência de 80% das 344 espécies incluídas na presente publicação, notadamente aquelas tratadas como DD, justamente porque lhes faltam dados que permitam uma avaliação segura do seu status de ameaça. Quanto à realização de pesquisas, cabe mencionar que para apenas 28 espécies (8%) foram citados estudos em andamento ou recém concluídos no Estado. As pesquisas propostas foram principalmente sobre a biologia e a ecologia das espécies, bem como sobre a sua distribuição no Estado, enfatizando o mapeamento e a busca de novas populações, bem como o monitoramento das mesmas.

A fiscalização e o controle de atividades impactantes ou predatórias, como a caça, a pesca, os desmatamentos, as queimadas, o uso de agroquímicos, os empreendimentos imobiliários e a execução de obras de grande porte, devem ser intensificadas para que seja cumprida a legislação ambiental vigente. Neste particular, a educação ambiental, também citada como uma medida importante para a conservação das espécies da fauna do Estado, é uma importante aliada. A conservação ex situ e a introdução foram citadas como medidas importantes para algumas espécies, devendo-se destacar que estas medidas, mas principalmente a reintrodução, devem ser realizadas com critério científico e somente em casos em que os benefícios superem os possíveis riscos, que devem ser monitorados constantemente ao longo de todo o processo. Finalmente, o saneamento básico é citado como uma medida importante para garantir a sobrevivência de algumas espécies, mas certamente a importância e a necessidade da aplicação desta medida foi subestimada pelos autores, haja vista o grande número de espécies ameaçadas pela poluição no nosso Estado e o precário sistema de saneamento encontrado na maioria dos municípios.

Tabela 6. Medidas de conservação propostas ou em andamento para a fauna no Estado do Paraná.

Legenda
GRUPO (grupos taxonômicos) e CAT (categoria de ameaça) - ver a legenda à Tabela 3.
MEDIDAS DE CONSERVAÇÃO: PH - proteção e recuperação de hábitats, incluindo a criação, ampliação e implementação de unidades de conservação de proteção integral, a recuperação de florestas ciliares e corpos de água, bem como a formação de corredores; PP - pesquisas propostas, principalmente sobre biologia, ecologia, distribuição (mapeamento) e taxonomia; inclui a busca de populações e o seu monitoramento e manejo; PA - pesquisas em andamento no Estado, principalmente sobre biologia, ecologia, distribuição, dieta, comportamento, variabilidade genética e densidade populacional; FC - fiscalização e controle de atividades impactantes e predatórias, como caça, pesca, desmatamentos, empreendimentos imobiliários, implantação de indústrias e o uso inadequado de agroquímicos; EA - educação ambiental; CE - conservação ex situ ; RE - reintrodução; SA - saneamento básico, para controlar a poluição por dejetos domésticos.
No caso de Peixes, o primeiro valor refere-se sempre às espécies marinhas e o segundo às espécies de água doce.

Presença das espécies nas unidades de conservação

A Tabela 7 exibe o número de espécies ameaçadas (RE, CR, EN, VU), quase ameaçadas (NT) ou com dados insuficientes (DD), com registros confirmados em unidades de conservação localizadas no Paraná. Percebe-se que, das mais de 220 unidades de conservação presentes no Estado (ver Figura 2), apenas 61 (cerca de 26%) possuem registros de espécies ameaçadas.

Algumas considerações iniciais sobre um terço dessas 61 áreas protegidas, justamente as que apresentaram o maior volume de registros de espécies ameaçadas, NT e DD, podem ser realizadas:

O Parque Nacional do Iguaçu (60 registros), conhecido ícone da conservação nacional, é a área protegida com o maior número de espécies constatadas entre todas as unidades de conservação paranaenses, abrigando 16 mamíferos, 13 aves, um réptil, um peixe e três borboletas ameaçadas, além de 26 animais NT ou DD; é a unidade recordista de mamíferos ameaçados. Por sua extensão (mais de 185.000 ha), antiguidade (criado em 1939), relevância como maior bloco contínuo de Floresta Estacional no Estado e proximidade de outras áreas protegidas na Argentina e no Paraguai, espera-se que grande parte das espécies previsivelmente ocorrentes neste Parque de fato aí ocorram, aumentando consideravelmente o seu reconhecimento como reduto faunístico extremamente relevante (ver item “Presença e situação em unidades de conservação”, em cada espécie tratada ao longo deste livro).

A APA Estadual de Guaratuba (47 registros), até o presente, é a unidade que possui o segundo maior número de constatações, com a predominância das aves: 20 espécies ameaçadas, além de outras 16 que merecem atenção especial (NT e DD). Trata-se de uma grande (quase 200.000 ha) unidade de conservação de uso direto que abriga diversas formações dentro das florestas ombrófilas Densa e Mista, bem como ambientes aquáticos marinhos, de água doce e estuarinos, e por isso é merecedora de grande atenção conservacionista. A sua proximidade e facilidade de acesso a partir de Curitiba, maior pólo de pesquisa zoológica do Paraná, também auxiliou nesta sua posição.

A APA Federal de Guaraqueçaba (46 registros), além de 15 aves ameaçadas, abriga um peixe e cinco mamíferos ameaçados. Nesta enorme unidade de conservação (mais de 290.000 ha) de uso direto, com características semelhantes às da APA Estadual de Guaratuba, boa parte do conhecimento gerado provém de pesquisas desenvolvidas em duas outras unidades de conservação inseridas em sua área, o Parque Nacional do Superagüi (22 registros), a RPPN Federal Reserva Natural Salto Morato (20 registros), área particular com o maior volume de pesquisas zoológicas no Estado, e a Estação Ecológica de Guaraqueçaba (dois registros). Juntas, estas quatro áreas protegidas apresentam uma considerável quantidade de constatações entre todos os vertebrados ameaçados, NT ou DD (terrestres, marinhos ou de água doce): seis mamíferos, 31 aves, três répteis, um anfíbio e cinco peixes, destacando-se o Parque Nacional como grande área de proteção integral (mais de 34.000 ha).

O Parque Estadual de Vila Velha (35 registros), apesar da proximidade de grandes   centros urbanos como Curitiba e Ponta Grossa, de se avizinhar a extensas zonas agropastoris e contar com intensa visitação turística, apresenta um significativo número de animais que merecem atenção especial, inclusive com a predominância dos mamíferos (dez ameaçados e dez DD) sobre as aves (três ameaçadas, seis NT e quatro DD), além de abrigar uma abelha e um réptil também ameaçados. É a mais antiga unidade estadual de conservação (criada em 1953) e uma das mais estudadas até o momento, contando com inventários de todos os vertebrados e de inúmeros grupos de invertebrados, notadamente de insetos (dados do IAP e do MHNCI).

O Parque Estadual Mata dos Godoy (28 registros), a despeito da extensão consideravelmente pequena (675 ha) e de sua inserção numa matriz absolutamente antrópica (monoculturas agrícolas), ganha destaque como relicto de Floresta Estacional Semidecidual contendo um anfíbio, nove mamíferos e 18 aves merecedores de atenção especial (ameaçados, NT e DD). Sem dúvida este status se deve aos inúmeros esforços de pesquisa que têm sido realizados nesta unidade de conservação, em especial pela Universidade Estadual de Londrina.

Na Estação Ecológica do Caiuá (27 registros) vivem sete mamíferos e dez aves ameaçadas. Apesar desta Estação encontrar-se entre as unidades de conservação com o maior número de constatações no Estado, é significativa a ausência de quaisquer outros registros de espécies (mesmo NT e DD) entre os demais grupos animais aqui tratados, o que denuncia a necessidade de intensificar estudos no local.

O Parque Estadual do Cerrado (26 registros) se destaca pela quantidade de abelhas ameaçadas ali constatadas (cinco espécies), inclusive algumas endêmicas do Estado. Embora seja uma unidade de conservação de tamanho reduzido (cerca de 420 ha), próxima de um centro urbano (Jaguariaíva) e inserida numa matriz ambiental bastante alterada, encerra ainda seis mamíferos e quatro aves sob ameaça de extinção no Paraná.

Duas áreas que podem ser tratadas conjuntamente, por sua estreita relação geográfica, são a Área de Especial Interesse Turístico do Marumbi (26 registros) e o Parque Estadual Pico do Marumbi (23 registros). Entre ambas, além de quatro aves e dois mamíferos ameaçados (grupos sempre importantes como referência conservacionista), destacam-se nove anfíbios DD, alguns dos quais endêmicos do Paraná, sendo estas as unidades de conservação recordistas para anfíbios merecedores de atenção especial no Paraná.

O Parque Nacional de Ilha Grande (24 registros) abriga 14 espécies ameaçadas, seis NT e quatro DD, entre mamíferos, aves e peixes. A importância deste Parque, conjuntamente com a APA Federal das Ilhas e Várzeas do Rio Paraná (18 registros), reside principalmente em sua posição geográfica em zona de transição entre faunas distintas do Brasil Central (com influência do Cerrado e do Pantanal) e do Brasil subtropical sulino. Além disso, essas duas unidades federais de conservação constituem um arquipélago com várzeas, lagoas e outras formações fluviais únicas, em todo o noroeste e oeste do Estado, como sítio de reprodução, forrageamento e abrigo para muitos peixes em situação de risco e diversas formas paludícolas de répteis, aves (migratórias ou residentes) e mamíferos.

A Floresta Estadual do Palmito (17 registros) ocupa a quinta posição, entre as 61 unidades de conservação aqui enfocadas, em termos de aves ameaçadas, com nove espécies. Esse fato é significativo em face de sua extensão muito menor (530 ha) do que as unidades precedentes, e sem dúvida reflete o quanto essa área é ornitologicamente bem estudada, posto que dos demais grupos apenas se constatou ali um peixe e um mamífero, ambos DD.

O Parque Nacional Saint-Hilaire-Lange (16 registros) ainda não possui um inventário faunístico sequer razoável, em função da pouca atenção que tem recebido por parte dos pesquisadores e das autoridades ambientais. Contudo, um anfíbio, dois mamíferos e 13 aves, relevantes sob a ótica deste Livro Vermelho, foram constatados nessa unidade de conservação, em geral produto de investigações zoológicas anteriores à criação do Parque (ano de 2001). Pelo potencial desta área, um número ainda expressivo de registros de espécies ameaçadas ainda poderá ser feito, haja vista ser vizinho de outras unidades ricas em constatações.

No centro-noroeste do Paraná se destaca o Parque Estadual Vila Rica do Espírito Santo (16 registros), pela quantidade de mamíferos (nove ameaçados e quatro DD) e aves (uma ameaçada e duas DD), principalmente por suas dimensões reduzidas (354 ha), sua proximidade de um centro urbano (Fênix) e seu isolamento em meio a extensas zonas agrícolas, constituindo-se num importante reduto de fauna para aquela região do Estado.

A RPPN Estadual Fazenda Monte Alegre (16 registros) é a maior unidade de conservação particular no Paraná (mais de 3.800 ha), abrangendo ambientes de Floresta Estacional Semidecidual, Floresta Ombrófila Mista e Campos Naturais. Possui uma ave e sete mamíferos ameaçados, além de muitos registros relevantes feitos em suas proximidades, incluindo borboletas, anfíbios e répteis ameaçados.

Na seqüência, pela ordem de constatações de espécies ameaçadas, NT e DD, aparecem os parques estaduais de Caxambu (14 registros), Lauráceas (13 registros), Ilha do Mel (12 registros), Guartelá (12 registros) e Rio Guarani (11 registros), encerrando diferentes biomas presentes no Estado. Essas cinco unidades de conservação também estão aqui destacadas por apresentar ocorrências significativas de mamíferos ameaçados (respectivamente oito, seis, quatro, quatro e três espécies), em alguns casos em função da existência de inventários faunísticos (casos de Caxambu, Ilha do Mel e Rio Guarani).

A APA Estadual da Escarpa Devoniana destaca-se de forma negativa face o confronto entre sua grande extensão geográfica (quase 400.000 ha) e o diminuto número total de registros a ela atribuídos (apenas um mamífero ameaçado e outro DD), demonstrando um esforço irrisório de estudos na região. Em muitos casos este fato é simplesmente uma questão de amostragem, já que certas unidades de conservação foram significativamente melhor trabalhadas para um determinado grupo taxonômico (como a Estação Ecológica do Caiuá para mamíferos e aves ou o Parque Estadual Pico do Marumbi para anfíbios) do que outras (como o Parque Estadual Vila Rica do Espírito Santo, sem registros de abelhas). De um modo geral, porém, fica patente que as unidades de conservação que apresentaram números mais expressivos de espécies ameaçadas, NT ou DD foram:

(1) as que apresentam grandes dimensões, mesmo não sendo de proteção integral, como nas APAs de Guaratuba, Guaraqueçaba e das Ilhas e Várzeas do Rio Paraná, ou nos parques nacionais do Iguaçu e Superagüi;

(2) as que possuem estudos zoológicos e inventários faunísticos, mesmo que incompletos ou não publicados, como é o caso dos parques estaduais de Vila Velha, Mata dos Godoy, Cerrado, Vila Rica do Espírito Santo, Caxambu e Ilha do Mel, da Estação Ecológica de Caiuá, da Floresta Estadual do Palmito e da RPPN Reserva Natural Salto Morato; e

(3) as que abrangem mais de uma formação florestal ou bioma, ou englobam ambientes marinhos, como acontece com as APAs de Guaratuba e Guaraqueçaba, a RPPN Fazenda Monte Alegre e os parques estaduais do Guartelá e do Rio Guarani.

Percebe-se que as espécies ameaçadas na fauna paranaense estão presentes em unidades de conservação de diversas categorias, desde pertencentes a diferentes esferas governamentais (municipal, estadual ou federal) até privadas. Isso não significa, porém, que estejam efetivamente protegidas, seja pelo caráter pouco restritivo da unidade em que ocorrem, como no caso das APAs, seja pelo tamanho reduzido da área e seu grau de isolamento. Este é o caso dos parques estaduais do Cerrado e Vila Rica do Espírito Santo, que além de diminutos, estão cercados por uma matriz alterada e inóspita para a maioria das espécies típicas dos ambientes que visam proteger (respectivamente o Cerrado e a Floresta Estacional Semidecidual).

Das 344 espécies tratadas na presente obra, 106 (31%) ainda não foram registradas em unidades de conservação localizadas no Paraná, o que além de demonstrar uma relativa carência de pesquisas de campo realizadas no Estado, alerta para a necessidade de criar novas unidades de conservação, além de ampliar algumas já existentes e, principalmente, restabelecer conexões naturais (corredores) entre áreas hoje isoladas para aumentar a sua efetividade. O problema é mais sério no caso de anfíbios, peixes, abelhas e borboletas, grupos nos quais 50% ou mais das espécies ameaçadas não contam com registros em áreas protegidas no Estado do Paraná. Mesmo nos demais grupos, muitas espécies foram registradas em APAs, unidades que apresentam pouco controle das atividades e impactos antrópicos, conferindo-lhes assim um baixo nível de proteção.

Tabela 7. Número de espécies ameaçadas, quase ameaçadas ou com dados insuficientes, com registros confirmados em áreas protegidas localizadas no Estado do Paraná.

Legenda
AEIT = Área de Especial Interesse Turístico do Marumbi; APA = Área de Proteção Ambiental; ARIE = Área de Relevante Interesse Ecológico; EE = Estação
Ecológica; FE = Floresta Estadual; FLONA = Floresta Nacional; PARNA = Parque Nacional; PE = Parque Estadual; PF = Parque Florestal; PM = Parque Municipal; RB = Reserva Biológica; RN = Reserva Natural; RPPN = Reserva Particular do Patrimônio Natural; mam = mamíferos; ave = aves; rep = répteis; anf = anfíbios; pei = peixes; abe = abelhas; bor = borboletas; am = espécies ameaçadas; NT = espécies quase ameaçadas; DD = espécies com dados insuficientes.